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Com o Natal vêm os cerca de 352 anúncios de televisão de brinquedos super divertidos para se encherem de pó nos quartos dos petizes. Há brincadeiras tão imbecis que nem percebemos como é que há alguém que as compra. Texto: Diana Ilustração: Rita É Natal, é Natal. Oba. A árvore está feita, as luzes estão ligadas e com sorte os enfeites vão-se aguentando nos ramos do pinheiro falso. O problema são os presentes, as prendas, como nós por aqui dizemos. Nos canais de desenhos animados, que infelizmente estão (quase) sempre ligados cá por casa, os anúncios de brinquedos sucedem-se, nos intervalos dos bonecos, deixando a minha filha de boca aberta. E a mim. Fico estupefacta com a quantidade de brinquedos horrorosos que hoje existem e que, espero, nunca venham parar cá a casa. Nenuco: Há o “dorme comigo”, que traz um berço para juntar à cama da criança, o que…

Explicar a uma criança o que é a morte, é ligeiramente sinistro. E bastante difícil. Muitos brincam com isso sem sequer saberem o que é. Maria João Lourenço volta às crónicas e aos sobrinhos. Texto: Maria João Lourenço Ilustração: Rita O Tomás morreu. A frase foi dita pela Júlia da Sofia com o ar mais tranquilo do mundo, na inocência dos seus dois anos. Acontece que o Tomás, uns bons anos mais velho, resolvera fingir-se de morto, fechando os olhos e cerrando a boca, talvez, quem sabe?, para descansar das brincadeiras sem fim? Do alto da nossa provecta sabedoria, nós, as mães (e a tia, sem filhos mas com muitos carimbos no passaporte), sentadas ainda à mesa do almoço, disfarçámos o melhor que pudemos e houve logo quem se lembrasse logo da história da Bela Adormecida. Nada que a pequena Júlia não tivesse experimentado, claro. Afinal, vivemos todos no século…

Carlitos era um beijoqueiro incansável. Por tudo e por nada saía beijinho. É mais uma história real do mundo da educação e da pedagogia. Texto: Alda Couto Ilustração: Rita *Todos os nomes usados nos textos da autora são fictícios, de forma a proteger a identidade dos intervenientes. Tinha uns caracóis muito louros e era beijoqueiro. Não entrava sem nos vir dar um beijinho e não saía sem se despedir com…um beijinho. De vez em quando levantava-se para nos vir dar um beijinho e se o elogiávamos, ficava tão feliz que nos agarrava para…dar um beijinho. Era demais! Pelo menos para mim que não sou aficionada de beijos de quem não me é próximo e muito menos de pré-adolescentes a cheirar a hormonas. Comecei a esquivar-me ao estilo daqueles que estendem logo a mão antes que o outro avance com a cara, estão a ver? Até amanhã Carlos – gritava eu de longe na…

Semana sim, semana não, o Amãezónia abre as portas à educação, com histórias incríveis – e verdadeiras – sobre miúdos e as suas lutas diárias com eles mesmos, a escola e o mundo.  Texto: Alda Couto Ilustração: Rita São muito fortes os laços que se criam durante as duas primeiras grandes etapas da vida – a infância e a adolescência. Laços que perduram à revelia do tempo e arrastam consigo os amores e os ódios, as zangas e as alegrias dos quais esses laços naturalmente foram feitos e que sem nos apercebermos vivem escondidos, colados a essas pessoas que fomos. É importante ter isto presente quando interferimos nas amizades ou nos amores vividos nessas idades. A nossa intervenção é como a pegada ecológica – fica indelevelmente marcada e não há nada a fazer. O que faz de nós, adultos, responsáveis indirectos por elas e, consequentemente, fortes candidatos a adulteradores das mesmas. Ora,…

Semana sim, semana não, o Amãezónia abre as portas à educação, com histórias incríveis – e verdadeiras – sobre miúdos e as suas lutas diárias com eles mesmos, a escola e o mundo.  Texto: Alda Couto Ilustração: Rita Quem é que gosta de ver, e ouvir, as crianças a chorar? Creio que ninguém no seu perfeito juízo. A prova disso são as reacções, tantas vezes díspares, que nós, adultos, temos perante o trivial choro de uma criança. Eu já vi de tudo. E tentei quase tudo. Desde o tradicional “Cala-te imediatamente que já não te posso ouvir!” até ao “Queres que te dê uma razão para chorares?”, passando pelo “Mas estás a chorar porquê?” ou o “Por favor não chores, vá lá…pronto, pronto…já passou” há uma panóplia de reacções. Todas com o propósito de acabar, não tanto com a dor da criança que na maior parte das vezes não levamos em grande linha…

Semana sim, semana não, o Amãezónia abre as portas à educação, com histórias incríveis – e verdadeiras – sobre miúdos e as suas lutas diárias com eles mesmos, a escola e o mundo.  Texto: Alda Couto Ilustração: Rita *Todos os nomes usados nos textos da autora são fictícios, de forma a proteger a identidade dos intervenientes. Dizia que não tinha jeito para nada e sempre que eu lhe perguntava de que é que gostava, encolhia os ombros – não sabia. Quase sempre encolhido, como quem precisa de se esconder do mundo, raros eram os momentos em que nos olhava nos olhos. Hesitei amiúde entre o zangado ou o excessivamente envergonhado, sempre na certeza de se tratar de uma criança desacreditada de si mesma. Trabalhei com o Alex meses a fio, tropeçando nas minhas próprias convicções tão intensamente que o nosso percurso, feito de avanços e recuos, não me dava garantias nenhumas de…

Semana sim, semana não, o Amãezónia abre as portas à educação, com histórias incríveis – e verdadeiras – sobre miúdos e as suas lutas diárias com eles mesmos, a escola e o mundo.  Texto: Alda Couto Ilustração: Rita *Todos os nomes usados nos textos da autora são fictícios, de forma a proteger a identidade dos intervenientes. Quando foi ter comigo devia ter aí uns nove anos. Eu nunca desisti dela mas ela desistiu de mim. Chamo-lhe a minha primeira frustração. Chorava por tudo e por nada. Sobretudo por nada. Quando apareceu na sala de estudo decidimos que seria melhor ficar a cargo da minha sócia. Formada em Psicologia e com mais experiência do que eu, seria a pessoa ideal para compreender e acompanhar a Ana. Afinal estávamos enganadas. Não era uma questão de técnica, era uma questão de afetos. Pouco tempo depois de ter entrado para a sala de estudo, a Ana passou para a minha mesa.  Os choros reduziram mas a vontade de trabalhar não aumentou e, sempre que se sentia pressionada, chorava. Com ela aprendi…

Semana sim, semana não, o Amãezónia abre as portas à educação, com histórias incríveis – e verdadeiras – sobre miúdos e as suas lutas diárias com eles mesmos, a escola e o mundo.  Texto: Alda Couto Ilustração: Rita *Todos os nomes usados nos textos da autora são fictícios, de forma a proteger a identidade dos intervenientes. Encontrei-o à saída do cinema. Casado. Reconheceu-me imediatamente, sorriu-me, cumprimentou-me com um beijo e apresentou-me a mulher. Também eu o reconheci imediatamente apesar da barba. O olhar é o mesmo de quando tinha dez anos e se sentou pela primeira vez à mesa da sala de estudo, onde eu reunia oito crianças de cada vez para as ajudar a compreender o que na escola não compreendiam. Confesso que me vi aflita para me lembrar do nome. Os rostos, as suas expressões, a transparência dos olhares são o que marca, na minha memória, a individualidade de…