Tag

filhos

Browsing

Sair de casa de manhã, a tempo e horas, pode transformar-se numa calamidade. Despachar os putos, tratar de nós, agarrar em tudo e não esquecer o almoço ou o lanche é hercúleo. Mas não precisa de ser. Texto: Diana Ilustração: Rita Todas as manhãs é a mesma coisa: os putos não querem acordar, depois é preciso vesti-los, antes disso escolher a roupa, essas meias não, as outras, não quero essa saia, quero calças, não gosto desses sapatos, dar -lhes o pequeno-almoço é como negociar com reféns, preparar as marmitas é um desespero e às vezes acabam por ficar em cima da bancada da cozinha. O relógio não pára, a mãe e o pai ainda nem sequer tomaram banho, raios partam, e quando finalmente deixam os miúdos na escola ainda têm de enfrentar o trânsito para o trabalho. Às vezes, só para tornar tudo mais divertido, há um dos putos que…

Há anos que parecem séculos mas este pareceu-me tão curto como uma estrela cadente. Foi um ano de maternidade caótica mas pacífica, desorganizada mas feliz, cheia de erros mas orgulhosa. Percebi isso quando encaixei a vida em cinco segundos.  Texto e ilustração: Rita Estava eu na sala, rodeada de uma grande confusão, brinquedos pelo chão, bocados de tecidos, papelinhos cortados em 1000 bocados, canetas de feltro sem tampa, enfim um enorme caos criativo, pré-festa, quando a minha filha me diz com um ar muito convencido e sabedor que por dentro somos feitos de osso e carne. Carne de frango. Fiquei estupefacta a olhar para as sardas dela e nesse momento caiu-me uma bigorna de ferro na cabeça: uma resposta de quem tem quase cinco anos! Aos cinco anos sabemos e dizemos estas coisas preciosas. Sabemos que por dentro somos feitos de carne de frango, que o super-homem vive disfarçado na nossa rua e sabemos que os animais…

Depois da eco das 12 semanas, contámos à miúda, finalmente, que vem aí um bebé. Sentámo-nos à mesa e ela estava mais interessada em fazer desenhos do que em ouvir-nos.  Texto: Diana Ilustração: Rita No dia em que os sacanas dos miúdos fizerem ou reagirem como estamos à espera, a Terra parará de girar, o sol irá transformar-se numa enorme fogo de artifício e mães e pais de todo o mundo verterão lágrimas de felicidade e incredulidade. Enquanto isso não acontece, não temos outro remédio senão engolir a expectativa, que sabe a sapos viscosos, e lidar com a frustração. É o come e cala, e é se queres. A minha filha quer um irmão há algum tempo. Fala disso muitas vezes e na cabeça dela eu já estava grávida. Batia-me na barriga e dizia “barriga gorda”, olhava para as minhas grandes mamas e sublinhava esse mesmo facto: o de estarem grandes. Uma…