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Há anos que parecem séculos mas este pareceu-me tão curto como uma estrela cadente. Foi um ano de maternidade caótica mas pacífica, desorganizada mas feliz, cheia de erros mas orgulhosa. Percebi isso quando encaixei a vida em cinco segundos.  Texto e ilustração: Rita Estava eu na sala, rodeada de uma grande confusão, brinquedos pelo chão, bocados de tecidos, papelinhos cortados em 1000 bocados, canetas de feltro sem tampa, enfim um enorme caos criativo, pré-festa, quando a minha filha me diz com um ar muito convencido e sabedor que por dentro somos feitos de osso e carne. Carne de frango. Fiquei estupefacta a olhar para as sardas dela e nesse momento caiu-me uma bigorna de ferro na cabeça: uma resposta de quem tem quase cinco anos! Aos cinco anos sabemos e dizemos estas coisas preciosas. Sabemos que por dentro somos feitos de carne de frango, que o super-homem vive disfarçado na nossa rua e sabemos que os animais…

Toda a gente está familiarizada com este tipo de análise científica da personalidade, correcto? Mas já experimentaram fazer a dos vossos filhos? Nunca, pois não? Então vamos convidá-las/los a esse erudito exercício. Repassemos o zodíaco a pente fino: Texto: Amãestrólica Ilustração: Rita Aquário: Frescos e leves como a água, estes miúdos são alegres e bons de levar. Excepto quando metem alguma coisa na cabeça, aí está tudo estragadinho e não há feitiço que nos acuda. Teimosos que nem gado caprino, o melhor é não dar muita importância às alturas em que se viram do avesso – o melhor é concentrarem-se nas coisas boas. São curiosos e adoram experiências novas. Ou não. É conforme dormiram. Principal característica: birras. Peixes: as esponjas do zodíaco infantil. Topam tudo, por isso esqueçam aquela ideia de falar sobre eles com terceiros enquanto eles brincam ao lado com legos. Eles estão ligados. O humor matinal e as explosões emocionais podem…

A imaginação ingénua é das coisas que mais gosto na infância da minha filha, surpreendo-me e questiono-me onde irá ela desencantar estas ideias. Só à hora de deitar é que pode ser mais trabalhoso. Por vezes há bruxas ou monstros atrás das portas, e se dormir normalmente já é difícil, quanto mais quando a casa está povoada de criaturas de outros mundos.

Todas as coisas que a nossa cara metade habitualmente faz, teremos de ser nós a fazer. Não há aquela prática “tu fazes o jantar, eu brinco com ela”, “eu estendo a roupa, tu dás o banho”, “vais tu às compras enquanto eu a vou buscar à escola”. Isso acaba por uns dias. Quem fica faz as tarefas dos dois.

Quando eles pegam nos talheres sozinhos e começam a emborcar comida sem qualquer tipo de ajuda, acende-se uma luz ao fundo do túnel. Eles são independentes! Até que a luz se apaga. Texto: Diana Ilustração: Rita “Tu na escola comes sozinha, porque é que em casa tenho de te dar a comida? Pega no garfo e come.” “Hoje não consigo. Estou com a mosca.” Este foi um diálogo real que tive com a minha filha de três anos, em breve quatro. Todas as refeições em família são uma espécie de jogo “quão rápido consigo enfiar comida na boca da criança?” A criança começou por não querer comer a sopa sozinha. A mãe e o pai, depois de muitas chatices, aceitaram e impuseram uma regra. Nós damos a sopa, tudo muito bem, mas tu comes o resto sozinha. A coisa funcionou durante algum tempo. Até que deixou de funcionar. A miúda…

Mal podemos esperar por aquele momento em que as crias ficam nos avós, nós entramos num avião e aqui vai de viagem. Livres, leves e frescos, sem pedidos constantes para fazer chichi ou comer. Mas. Sempre mas. Texto: Diana Ilustração: Rita Mala feita, criança despachada para os avós um dia antes porque o avião é muito cedo. Chegar a casa depois do trabalho e não ter criança para alimentar e dar banho. O céu. Sair cedo para o aeroporto, viagem descansada, chegar a outro país e começar logo a aproveitar a vida, sem ser preciso fazer check in ou desencantar alguma coisa para comer urgentemente, sem pensar em sestas, nem em muitos agasalhos. O céu. Só que os sacanas dos putos instalam-se no coração com tal força que não há maneira de estar completamente feliz sem eles, mesmo que a presença deles não faça qualquer sentido naquele momento – um…

Somos enfermeiras, empregadas de limpeza, aias de suas altezas reais, negociadoras exímias, chantagistas e ginastas. Tudo ao mesmo tempo.  Texto: Diana Ilustração: Rita Empregadas de limpeza: as migalhas no sofá, o iogurte no chão, os bocados de comida não identificada colada nos locais mais estranhos. O vomitado a meio da noite, nos lençóis, no pijama, no chão e em cima de nós; lavar a roupa e secá-la em tempo recorde; lavar o tapete do quarto a 60º para matar os ácaros. Aias de suas altezas: vestir, despir, todos os dias, às vezes mais de que duas vezes por dia; cortar as unhas das mãos que normalmente têm terra por baixo, a dos pés que crescem a uma velocidade assustadora; dar banho; desembaraçar o cabelo, pentear, fazer totós, tentar fazer tranças porque sua majestade assim o deseja, mesmo que o cabelo não dê. Ficar com uma tendinite depois de várias tentativas…