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Sou uma pessoa traumatizada, pelo que nesta segunda ronda o meu objetivo é manter-me elegante e engordar apenas o aconselhado. Não me transformarei num hipopótamo.  Texto: Diana Ilustração: Rita A minha primeira gravidez foi um misto de felicidade, ansiedade e profundo mau estar. Não foi coisa que me tivesse agradado e, em parte, a culpa foi dos 30 quilos que engordei à conta das toneladas de comida que enfiava boca abaixo como se não houvesse amanhã. Eu era uma mãe hipopótama e, como tal, tinha de me abastecer para que a cria nascesse robusta, como os hipopótamos devem ser. No fim eu deixei de ter formas – era apenas uma enorme bola – e a cria nasceu pequenota. Os alimentos ficaram todos para mim. Agora, a brincadeira é diferente. A ansiedade é bastante menor e a fome também o que, parecendo que não, ajuda. Já sei o que vai acontecer ao…

Quando eles pegam nos talheres sozinhos e começam a emborcar comida sem qualquer tipo de ajuda, acende-se uma luz ao fundo do túnel. Eles são independentes! Até que a luz se apaga. Texto: Diana Ilustração: Rita “Tu na escola comes sozinha, porque é que em casa tenho de te dar a comida? Pega no garfo e come.” “Hoje não consigo. Estou com a mosca.” Este foi um diálogo real que tive com a minha filha de três anos, em breve quatro. Todas as refeições em família são uma espécie de jogo “quão rápido consigo enfiar comida na boca da criança?” A criança começou por não querer comer a sopa sozinha. A mãe e o pai, depois de muitas chatices, aceitaram e impuseram uma regra. Nós damos a sopa, tudo muito bem, mas tu comes o resto sozinha. A coisa funcionou durante algum tempo. Até que deixou de funcionar. A miúda…

Dietas, aumentos de peso, emagrecimentos, filhos, tiróides, comida, desemprego. O corpo de uma mulher é um balão que se vai modelando, enchendo e vazando, deixando sempre marcas. Susana fala da luta, das desculpas e da pressão para emagrecer. Texto: Susana Almeida Ilustração: Rita Hoje olhei-me ao espelho e vi um rinoceronte. Ou dois, não tenho bem a certeza porque estava sem óculos. Para dizer a verdade já o andava a ver há muito tempo, mas fui usando todas as desculpas que me lembrava para o ignorar. A tiróide, o cansaço, as mudanças no emprego, começo amanhã, começo depois, a gravidez. Durante quanto tempo podemos usar a desculpa da gravidez para estarmos gordas? Acho que essa já não resulta, a minha filha mais velha tem 3 anos e o meu filho mais novo já fez 1 ano e se quero continuar a dizer a verdade tenho de admitir que já ando…

Amamentar pode ser maravilhoso mas há quem discorde. Há quem não ache graça nenhuma, quem deteste e quem nunca mais queira passar por isso. E não faz mal.  Texto: Diana Ilustração: Rita Quando engravidei nunca tive dúvidas de que queria amamentar. No curso de preparação para o parto que fiz não falámos da outra opção, e todas as descrições eram de um processo natural e mágico. Mostraram vídeos inspiradores de bebés acabados de nascer e largados em cima do peito das mães, pequenos seres de olhos fechados e boca aberta que conseguiam sozinhos encontrar o caminho da mama. Iam lá pelo cheiro. Lembro-me de achar aquilo demasiado animal para o meu gosto, mas não questionei. Segundo a minha mãe amamentar “foi maravilhoso” e uma pessoa acredita na mãe, mesmo que já seja crescida. E assim me entreguei de corpo e alma à função de alimentar a minha esfomeada filha. No início aconteceu o…

Há crianças a quem basta ver um pedaço de comida para abrir logo a boca e bater palminhas de contentamento. E depois há aquelas crianças que não comem. Nada. E que nos deixam os nervos em franja e com instintos Dextarianos.  Texto: Diana Ilustração: Rita Todos temos aquelas duas ou três histórias de infância que os pais e avós repetem milhares de vezes, como se nunca se lembrassem de mais nenhuma. O que é provavelmente verdade. As minhas histórias, repetidas até à exaustão pela minha mãe, estão relacionadas com: a) a minha teimosia b) a minha inconveniência em público c) a minha falta de apetite Reza a lenda que eu não comia nada. A minha mãe adoptou várias técnicas, que iam de castigos ao dizer-me “come” cerca de 350 vezes durante a refeição, passando por zangas, lágrimas, desespero. A minha avó tinha outras formas, ora apelando ao meu bom coração dizendo-me que a pobre…

Ter uma alimentação vegetariana não é viver à base de ervas e salsichas de soja. A Rita explica, dá dicas e receitas. Texto e ilustração: Rita A Diana, essa grande carnívora, pergunta: “Ser vegetariano dá uma trabalheira do caraças, não é? Vocês não podem comer qualquer porcaria!” E eu, sem ser uma verdadeira vegetariana (ainda), porque como peixe, respondo: “mais ou menos. Dá algum trabalho às vezes, sim, mas dá-me tanto trabalho a mim fazer hambúrgueres de grão, como a ti fazer hambúrgueres de carne de vaca picada, daquela bem vermelhinha, que quase esperneia no saco das compras”. (Desculpem não consegui evitar a laracha.) Na verdade não tento convencer absolutamente ninguém a fazer a opção de comer menos carne ou de seguir uma alimentação vegetariana, faço o que me dá na bolha e normalmente deixo os outros fazerem o que lhes dá na bolha a eles, sem criar grandes ondas…