QuemSomos-01

Somos mães. E mulheres. E profissionais. E irmãs, filhas, amigas. No fundo, somos pessoas que às vezes são bichos, principalmente quando as selvagens das filhas dizem não a tudo. Não somos mães fofinhas, excepto quando é absolutamente necessário. Não gostamos de cor-de-rosa (por acaso até gostamos, desde que seja choc) e estamos fartas de ouvir dizer que a maternidade é a melhor coisa do mundo. Porque não é. Ou melhor, até pode ser, mas não é todos os dias.

Somos a Diana, que escreve, e a Rita que desenha. Uma é jornalista à procura de quem a deixe escrever, a outra é designer à procura de quem a deixe criar. E foi assim, também, que viemos aqui parar. Quis o destino que ambas trouxéssemos a este mundo duas criaturas do sexo feminino, com poucos meses de diferença, muitas opiniões e alguma veia dramática.

E somos más mães que às vezes preferem conversar no whatsapp com amigos do que cantar pela 39ª vez “As Pombinhas da Catrina”. Somos más mães que põem as filhas em frente à televisão para ter uns minutos de descanso. E que trancam a porta da casa de banho para ter a certeza de que não são seguidas. E que não se levantam a meio da noite sempre que a filha choraminga – às vezes é só um pesadelo, ela que resolva sozinha. Mas às vezes também só queremos largar o trabalho para ir buscar as miúdas mais cedo à escola para podermos brincar no parque.

Somos mães que trabalham e que às vezes dormem pouco, mulheres a tempo inteiro, malabaristas do tempo e do cansaço que às vezes – por deus – só querem beber uma cerveja. Somos mais felizes desde que fomos mães mas lembramo-nos perfeitamente que também éramos felizes antes. E também nos lembramos de uma altura em que não tínhamos de tomar vitaminas porque não andávamos tão ridiculamente cansadas.

A vida não começa na maternidade. Nem acaba. E ser mãe é difícil como o raio.
Não estamos aqui para falar de cocó de bebés, amamentação ou remédios naturais. Estamos aqui para falar de nós e de todas as mães que lutam para manter a sanidade e uma vida social que não implique (só) cadeirinhas altas e “uma sopa passada, se faz favor”.

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