Texto: Diana
Fotografia: Dakota Corbin

Corpo pós parto, nem com ele, nem sem ele. A barriga ainda grande, flácida, branca, as mamas descaídas e moles, a cintura larga e as pernas mais gordas do que eram. Experimento o biquíni de cuecas altas que comprei e fico horrível mas visto na mesma porque estou longe de casa e trouxe apenas dois fatos de banho.

No fim da praia, com a pele molhada, o sal e o calor, as pernas fazem fricção uma na outra e de repente arde-me, isto nunca me aconteceu, juro. E decido fazer dieta, decido fazer caminhadas, só me faltam perder três quilos, não me fazia mal perder cinco, se quero ser honesta, mas detesto andar a pé e não tenho força de vontade para dietas.

Invoco o feminismo que me diz que isso não importa, que para ter corpo de biquíni basta ter um corpo e um biquíni (duh), que me devia estar nas tintas para a pressão social de ser perfeita, pois se a miúda nasceu há pouco tempo, mas não consigo. Não é a pressão social, são mesmo as minhas calças de ganga que não me servem e a saia que comprei.

Pergunto-me se daqui a um ano, quando os meus órgãos voltarem todos ao seu lugar e o meu corpo recuperar de vez, gostarei mais dele? Vou sentir-me mais forte e mais feminina que nunca, segura como uma rocha, como me sentia antes da segunda nascer e depois da primeira vir ao mundo?

Repito que ninguém é perfeito mas olho para o espelho e não gosto do que vejo. Talvez o melhor seja deixar de olhar e fazer de conta que não estou ali enquanto prometo ser mais ativa e comer (ainda) melhor para depois não cumprir nada porque afinal de contas fabriquei um ser humano e pu-lo no mundo com toda a força que o meu corpo foi capaz, este corpo que se portou tão bem e fez duas miúdas tão bonitas, tão perfeitas e fortes, como é que consigo zangar-me com ele é que eu não sei.

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