Texto: Diana
Ilustração: Rita

Bibes e panamás. Separados são maus, juntos são uma receita implacável para a aparência mais totó do mundo. E percebo de totozice. Eu própria era ligeiramente totó, com a minha franja de cabelos encaracolados (porquê, porquêee?) e os meus óculos redondos. E o meu buço. E as calças que me caiam porque não tinha cintura nem rabo. Enfim, vocês percebem.

As crianças precisam de muito pouco para parecerem totós, da mesma forma que precisam de quase nada para serem amorosos. Põe-se uma mochila às costas de uma criança de 2 anos e é ver o mulherio a ovular e a suspirar em uníssono “ohhhh” com os olhos em forma de coração. Mas põe-se um bibe e um panamá na cabeça do miúdo e está tudo estragado. Chega a ser triste.

Eu percebo os bibes, servem para não sujar a roupa e… quem é que querem enganar? É uma forma de uniformizar as crianças tirando-lhes o sentido de identidade para as transformar em robôs, cambada de fascistas. Ou comunistas. Estou a brincar. Isso são as fardas. Os bibes são para não sujar a roupa e para identificar os putos rapidamente. Porém, não deixam de ser horríveis. Não há um que se aproveite, quer em corte, quem em padrão ou cor. Não há um que beneficie criança alguma. Tal como os panamás enterrados na cabeça até aos olhos ou com as abas levantadas – só podem ser usados sem vergonha ou perigo de ser totó até aos 2 anos.

Vamos apostar nuns bonés e nuns bibes de padrões fixes e cortes decentes e modernos. Qualquer coisa que não faça lembrar um livro da Martine, com golinhas e roda e folhinhos e bolsinhos e quadradinhos. Estamos em 2018, caramba. E as minhas filhas não serão totós.

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