Texto: Diana
Ilustração: Rita
A barriga começa a crescer, há beijinhos e abraços, a mana isto, a mana aquilo, o entusiasmo, os planos de brincadeiras. Tudo na paz, na boa, na pura, mas a cabeça humana está sempre a trabalhar, mesmo a de uma criança de quatro anos. De repente chora com facilidade, diz que tem saudades dos avós minutos depois de a ir buscar após um dia inteiro com eles. Diz que tem saudades do pai minutos depois de ter passado o dia com ele. Precisa de mimos, faz mais birras e preocupa-se com o facto de a mãe ter de passar uns dias no hospital quando a bebé nascer.
É um turbilhão de emoções demasiado grande para um ser tão pequenino. Ainda bem que há pessoas capazes de ajudar e que percebem disto. A psicóloga Andreia Surgy deu-nos umas dicas preciosas.
1- Ao mesmo tempo que não se deve tolerar as birras, podemos pôr o limite um bocadinho mais distante.
2- Tentar que as pessoas, quando chegam ao pé de vocês, falem primeiro com ela e que a elogiem em vez de agarrar logo na barriga ou falar da bebé.
 3- Em vez de lhe falarem na grande responsabilidade e o quão bom é ser a irmã mais velha, brincar com ela, dizer-lhe que até ser mesmo giro vai ser chato porque os bebés não fazem nada. Dizer a verdade, portanto. Mas explicar que por um lado isso é bom porque assim vão todos habituar-se a ela devagar.
 4- Não dar mais importância às birras e choros do que têm – ser mais tolerante não significa deixar enganar porque as crianças percebem e depois abusam.
“Temos de parar de engrandecer a questão do ‘vais ser o mais velho, tens de ajudar, é espectacular’, quando na verdade não é assim tão bom, no início. A vida deles muda sem pedirem, o retorno do bebé é zero. Rouba a atenção e ainda por cima gostam deles e sentem culpa. Como é que se exprime isto? Como sabem.
Quando alguma amiga tem o segundo filho e eu vou conhecê-lo NUNCA falo ou vejo o bebé antes de gastar cinco minutos com o mais velho. É uma forma de lhes dizer: ‘Primeiro quero saber de ti que já conheço e de quem já gosto há mais tempo'”.
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