11Fotografia: Simon Matzinger

Texto: Rita

Há sempre aquela noite fatídica em que os filhos (um, dois ou mais – horror) vêm para a nossa cama. Se ainda não aconteceu acreditem que está para breve. Se o vosso filho tem 30 anos e não aconteceu até hoje, ok, tiveram mesmo sorte.

Mas nem todos temos a mesma estrelinha por isso existe neste mundo quem esteja sempre à procura de soluções desesperadas para este percalço. Durante a noite. Enquanto o resto do pessoal dorme. E às vezes de forma repetitiva. Sim, é verdade.

Depois há os que aceitam e toca a andar.

Então, longe (muuuuito longe) de ser especialista em sono, não quero dar dicas que vos possam induzir em erro, mas posso partilhar convosco uma série de truques que me vêem à cabeça. E há sempre uma de duas possibilidades: faz-se um teste para ver se resulta ou então ficamos só a saber que não estamos sozinho no mundo, o que, convenhamos, já não é nada mau.

Solução 1:

Ouve-se um barulho de noite. É o ursinho acompanhante do nosso filho a roçar nas paredes: eles vêm aí. Os dois: filho e peluche, não é difícil imaginar a dupla. Sem dizer nada esgueiram-se para a nossa cama. A cama é larga e por isso cabe toda a gente. Dormem mais quentinhos e está feito, parece fácil.

A partir daqui pode acontecer uma de duas situações:

  1. Toda a gente dorme profundamente (até o peluche) e portanto não há problema, é mesmo uma solução eficaz;
  2. O miúdo faz as posições todas de yoga incluindo a saudação ao sol enquanto dorme, destapa os restantes ocupantes da cama, dá pontapés, enfia dedos nos olhos e os cotovelos na cana do nariz dos pais, chega ao cúmulo de roubar as almofadas e de manhã temos vontade de ligar ao hospital psiquiátrico mais próximo para nos virem buscar porque a falta de sono deixa-nos a roçar a senilidade; 

Solução 2:

Os miúdos aparecem mas corta-se logo o mal pela raiz e diz-se que não pode ser. Neste caso temos de recambiá-los para o quarto e temos de contar com a hipótese de berreiro. Lamento dizer, mas é quase certo. A menos que se disponibilizem a ficar com eles no quarto até eles se sentirem seguros e voltarem a adormecer. Cada pai tem o seu estilo e cada criança tem a sua personalidade: há os que adormecem e há os que acordam de 5 em 5 minutos para terem a certeza que ainda estamos lá. Estão a ver, não é? Não preciso de dizer mais nada. Coragem. Pode demorar. A luz começa a aparecer devagarinho nas frestas das janelas. Ouve-se uma torneira a pingar. O som dos pássaros. Vou parar com isto.

Solução 3:

Arranjar um colchãozinho tripartido. Isto é discutível. Há quem diga muito mal deste colchãozinho. A vantagem é poder pô-lo no chão do quarto deles e ficarmos lá nós deitados ou levá-lo para o nosso quarto e dizer aos filhos que podem lá ficar, mas só se dormirem no colchãozinho. Versátil. Há o risco de o malfadado colchãozinho nos perseguir durante mais tempo do que gostaríamos, mas às vezes o desespero fala mais alto. E quando a sanidade mental familiar está em risco porque as noites são mais animadas que um concerto dos Rolling Stones, mais vale um colchão que uma família zombie, rabugenta e desmembrada. Raios divinos me partam.

Solução 4:

Dar de frosques. Eles vêm para o nosso quarto e nós, quando estamos saturados do excesso de pés e mãos que nos rodeiam o corpo na cama, vamos para o deles. Exactamente. Ou para o sofá. É uma imagem velha, parece demodé, mas para quem não dorme não há cá modas. Assim há espaço de sobra na cama para os que lá ficam e o terceiro elemento procura um canto onde possa fazer o descanso do guerreiro sem dedos alheios enfiados no nariz. Ninguém merece, não é? Mas pelo menos garantem-se ali umas quatro ou cinco horitas de sono que já ninguém nos pode roubar. É que no dia seguinte a vida continua, caramba.

Solução 5:

Ofereçam às crianças o livro “Posso Dormir na Vossa Cama?”, da Booksmileque conta a história da Gabriela, uma menina que quer dormir na cama dos pais. O pai dela (como nós) tenta a todo o custo esquivar-se das tentativas insistentes da petiz e vai arranjando desculpas mas, como qualquer criança, ela é especialista em apresentar argumentos para defender a sua estratégia. É uma história divertida  para, como quem não quer a coisa, explicar aos miúdos que nós estamos FARTOS, F-A-R-T-I-N-H-O-S de não dormir em condições.O brasileiro Ilan Brenman, autor de “Até as Princesas dão puns”, e psicólogo de formação, é o responsável pela história e a portuguesa Jo Franco faz as ilustrações.

Preço: 12,69€
Editora: Booksmile

 

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