Fotografia: Felix Koutchinski

Explicar a importância do dinheiro a crianças é como tentar que um recém nascido sorria. Muito desafiante, porém, não impossível. Quantas vezes ouvimos os pais e avós dizerem-nos “o dinheiro não cresce nas árvores” perante a nossa constante demanda por coisas novas? E quantas vezes já o dissemos para grande surpresa e infelicidade nossa?

Como não percebemos nada disto mas não queremos repetir a lenga lenga dos nossos pais ou avançar para o escatológico “deves pensar que eu cago dinheiro”, pedimos a uma especialista que nos ajudasse. Bárbara Barroso, do site “As Dicas da Ba“, percebe de finanças como ninguém e de miúdos também. E fez-nos o favor de responder às nossas questões. Além de fixe, a Bárbara dá workshops de finanças pessoais que ensinam a poupar e a organizar a vida. Bem bom.

Como posso explicar ao meu filho que o dinheiro não aparece de forma mágica no MB?

É preciso começar a explicar desde cedo como é que os mais crescidos ganham dinheiro. E isso passa por explicar que quando os pais saem para trabalhar é para ganharem dinheiro, e que pelo trabalho que fazem recebem dinheiro.Depois é com esse valor que vamos pagar a casa, vamos ao supermercado, compramos roupa, etc. Com esse montante temos de gerir muito bem porque não dá para tudo. Por questões de segurança os pais guardam o dinheiro no banco e os senhores do banco “dão-nos” um cartão para pagarmos as coisas. Mas não é o MB que dá, não é um código mágico. É dinheiro que sai da conta dos pais. Explicar o ciclo do dinheiro é fundamental. Um dos locais óptimos para eles perceberem este ciclo  é a Kidzania. A brincar eles percebem que quando trabalham ganham dinheiro e depois podem gastar.

Como mostrar-lhe o valor do dinheiro?

É importante falar de dinheiro. As idas às compras são excelentes formas para eles perceberem por exemplo o que pode ser caro ou barato. Pedir-lhe para compararem preços. Por exemplo: temos uma moeda de 1 euro, conseguimos comprar algum pacote de arroz? Qual? E pedir-lhes para compararem preços. Aproveitar também para serem eles a contarem o troco nas compras. E dar-lhes dinheiro para gerirem, seja uma mesada ou semanada, é a melhor forma de eles próprios perceberem o valor do dinheiro.

Como ensiná-lo a poupar?

O mealheiro continua a ser uma excelente forma de incentivar a poupar. O ideal é haver três mealheiros com três objetivos de poupança distintos: uma para uma compra de curto prazo, outro para um presente que ele queira comprar um pouco maior: brinquedo, ténis, etc. E, por fim, um para algo maior e que depois podemos colocar no banco. É importante ele perceber que temos de poupar para comprarmos o que queremos. E isso pode implicar abdicar de algumas coisas hoje, para ter o “prémio desejado” amanhã. Idealmente, os mealheiros até devem ser recipientes transparentes para eles verem mesmo o dinheiro a crescer. Acaba por funcionar como um incentivo à poupança.

Com que idade podem começar a receber mesada ou semanada?

Pode-se começar desde cedo com valores adequados à idade. Por exemplo, quando começam na escola, no ensino básico, pode dar-se 1 ou 2 euros à criança para gerir naquela semana. Quando são mais novos a semanada funciona melhor porque a noção temporal é diferente e é mais difícil conseguirem gerir num mês. Mas a partir do terceiro ciclo já se pode optar por mesada.

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