Texto: Diana

Tenho um problema com televisões: basta estarem ligadas para sugarem toda a minha atenção mesmo que esteja a dar um jogo de curling entre a Escócia e a Suécia. Os meus olhos batem no écrã e já não saem. A minha atenção não vacila. Esqueçam que eu existo.

Se a isto juntarem o meu vício em séries de crime, de preferência britânicas, temos o caldeirão perfeito de poção mágica. Mas em vez de força dá-me horas de sofá e muita paranóia na vida real. Estou sempre a tenta a possíveis assassinos, psicopatas, raptores e depravados, uma canseira.

Infelizmente já vi todas as séries boas da Netflix, de crime, e quase todas as que passam na televisão, mesmo aquelas que tenho vergonha de confessar. Neste momento encontro-me órfã de crime (saudoso Poirot e Miss Marple) e anseio por novas temporadas ou criações. Mas tenho 10 séries e mini séries para vos aconselhar, perita que sou nestas coisas. Cinco com mulheres a comandar o elenco e cinco com homens.

Com mulheres

“Happy Valley”: Provavelmente uma das melhores séries de crime que irão ver. A personagem principal, interpretada por Sarah Lancashire, é incrível. Atormentada, corajosa, agressiva, lixada da vida. Uma polícia que perdeu uma das coisas mais importantes da vida mas que não pode parar de investigar crimes violentos. Sem esquecer o belo James Norton, mau da fita, e que infelizmente fez uma série muito fraquinha chamada “Grantchester“. Esqueçam essa, ele é bem bom.

“The Killing”: Não vi a versão original, vi a americana, passada em Seattle, onde aparentemente chove todos os dias. É viciante, negra, deprimente, às vezes irritante graças à personagem principal. A detetive Sarah Linden é uma pessoa – vamos chamar-lhe especial – capaz de quase tudo. O seu sidekick ajuda muito, interpretado pelo ator sueco Joel Kinnaman, que entretanto fez a série péssima “Altered Carbon“.

“Deep Water”: Esta mini série passa-se na Austrália e tem Yael Stone no papel principal, como uma detetive da polícia a investigar uns estranhos assassinatos que vão desenterrar outros não resolvidos. E para que não fique a olhar para ela a tentar perceber de onde raios a conhece, chegando a pôr a hipótese “será que é portuguesa?”, saiba que é a louca Lorna Morello de “Orange is the New Black”. Sem o baton vermelho e o sotaque italo nova iorquino é difícil perceber.

“Colateral”: Esta mini série britânica faz lembrar o “The Night Off”, mas inferior – não tem aquela solidão permanente, aquela tristeza e também não tem John Turturro. Mas tem a Carey Mulligan que fez a mini série grávida. Diz o autor que esta foi uma forma de mostrar “que as mulheres mesmo grávidas continuam a trabalhar e que se comportam de uma forma completamente normal”. O autor é um homem e embora consigamos ver onde ele queria chegar, corre o risco de apelar ao “gravidez não é doença” e não têm nada que ser tratadas de forma diferente quando isso não é exatamente verdade.

“Marcella”: A personagem principal desta série, é completamente louca. Ou assim parece. Marcella (Anna Friel) deixou a polícia para se dedicar à família mas entretanto o marido deixa-a e ela volta para tentar resolver um caso de assassinato que, de repente, é demasiado familiar. A Netflix diz que é uma série deles, porém, no INDB está a segunda temporada desde fevereiro e na plataforma de streaming, nem vê-la. É aguardar com paciência.

Com homens

“Broadchurch”: Quem adora o David Tennant ponha o dedo no ar. Ele é um vilão incrível em “Jessica Jones”, ele foi “Doctor Who” e aqui é um polícia mal disposto a tentar descobrir quem matou um miúdo de forma brutal. A série foi filmada na Cornualha, uma das zonas mais incríveis de Inglaterra. Infelizmente só tem três temporadas.

“Retribution”: Uma mini série passada na Escócia em que um crime brutal afeta duas famílias que além de viverem lado a lado, estão unidas pelo casamento dos filhos. Tem ótimas paisagens, ótimos atores e um twist bem bom. Tem apenas quatro episódios.

“Luther”: Digamos que esta já é um clássico e um clássico é um clássico. E caramba, tem um dos homens mais bonitos da tv e do cinema e talvez do mundo: Idris Elba. Beleza à parte, a personagem é ótima e os crimes também. E não há nada melhor que um street british accent.

“Hinterland”: Esta série galesa (em galês polícia diz-se heddlu, tomem lá para aprenderem e poderem fazer um brilharete da próxima vez que virem o Christian Bale. Ou o outro Bale da bola) tem como personagem principal um detetive meio arruinado, extremamente infeliz e solitário. A causa vai-se percebendo ao longo dos episódios. Os cenários são incríveis.

“Manhunt: Unerbomber”: A única representante americana deste leque de bifes britânicos. Apesar de entrar o homem que em tempos foi Mr. Big no “O Sexo e a Cidade”, um ator bastante medíocre, a história compensa. A série mostra todo o processo que levou à captura do Unabomber, o matemático Theodore Kaczynski, que entre 1978 e 1995 se entreteu a aterrorizar a América enviando encomendas explosivas. O ator principal é o sempre ótimo: Paul Bettany, inglês, of course.

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