Texto: Diana
Ilustração: Lúcia Pereira

Às 21h20, hora da novela, de 9 de maio pus neste mundo mais uma miúda intrépida. Agora somos três raparigas cá em casa, um pai e um cão (castrado). Assim que nasceu abriu os olhos muito escuros e não viu grande coisa, nem a onda de amor gigante que me atingiu e me atirou para a areia de boca aberta e pernas para o ar.

Viemos para casa e levei um chapadão de realidade: passaram quase cinco anos desde que tive um recém nascido em casa e tinha-me esquecido de quase tudo. Nomeadamente do quão irritantes conseguem ser. E fofos, ao mesmo tempo. É mais intenso que um concerto de Marilyn Manson, apesar de nunca ter ido a nenhum.

  • Vestir recém nascidos devia ser considerado desporto olímpico;
  • Com a investigação certa tenho quase a certeza de que o cheiro de bebé, aquele bom que parece algodão doce, será capaz de curar doenças;
  • Os recém nascidos são uns falsos que tão depressa te fazem acreditar que estás a fazer um ótimo trabalho, como te dizem, aos berros, que não percebes um caracol do que estás a fazer;
  • A cara carrancuda dos recém nascidos é apenas um ensaio do que está para vir;
  • Acordar de três em três horas com um bebé a chorar e ter de o alimentar a meia luz ao mesmo tempo que se luta contra pequenos braços descontrolados que só não arrancam olhos, é uma eficaz técnica de tortura;
  • Os recém nascidos lixam-nos o pescoço;
  • Tentar descodificar se o bebé tem a) fome; b) arrotos; c) cocó é como descodificar as mensagens encriptadas dos nazis na Segunda Guerra Mundial e eu não sou assim tão esperta;
  • Ter um recém nascido nos braços – o nosso recém nascido – é ganhar o euromilhões e a lotaria num só dia tudo isto enquanto estamos calmamente felizes e tranquilos com Xanax;

Ter um recém nascido é também ter muito sono e dores no geral e se não se importam vou agora dormir um bocadinho que esta noite foi dura.

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