Texto: Maria Portugal

A separação de um casal é sempre difícil e quando há filhos à mistura pior é. Para todos. 

Mudança é talvez a palavra que melhor caracteriza uma separação ou divórcio, aquilo que era mais constante e permanente altera-se: muda a configuração familiar, mudam rotinas, muda-se de casa, habitualmente os filhos passam a ter duas casas e, por vezes, mudam até de escola.

Para os pais dissolve-se um projecto de vida conjunto e os momentos de conflito e discussões são frequentes. As crianças sentem-se muitas vezes colocadas num conflito de lealdade e culpabilizam-se pelo divórcio, sentindo as responsabilidades e obrigações que os pais têm perante eles.

É importante ter em conta que os filhos de qualquer idade estão atentos se apercebem da  iminência da separação dos pais, mesmo quando são bebés.

 

Como agir perante os filhos? Como minimizar o sofrimento deles quando nós pais estamos a tentar gerir o nosso próprio sofrimento?

Não há uma resposta fácil nem uma solução milagrosa, cada família tem as suas histórias e as suas dinâmicas, mas há questões para as quais devemos estar sensíveis e a primeira dica é talvez conversar, conversar e conversar mais um bocadinho. Conversar com o/a cônjuge, conversar com os filhos mas, muito muito importante, sem fazer dos filhos pombo-correio. Há questões e decisões  que são para serem faladas entre os adultos que devem ter bom senso e compreender que se dissolve a relação de casal mas não se dissolve a relação de pais.

A sintonia e capacidade de agir em prol dos filhos é determinante para o bem-estar das crianças. É fundamental depois falar com os filhos, com palavras que compreendam e que depois possam usar para si próprios, explicar-lhes o que está e o que vai acontecer.

Como falar, o que dizer aos filhos quando os pais se vão separar?

Algumas coisas a ter em conta:

O lugar e a hora: É bom escolher um espaço comum da casa, onde todos se sintam à vontade, assim como uma altura do dia em que ninguém esteja demasiado cansado ou com pressa. É imprevisível se vai durar muito ou pouco tempo mas é benéfico que possam ter o tempo que necessitem. É de evitar datas especiais que possam depois associar-se a esta notícia, como o Natal, data de aniversários, Carnaval, etc.

Todos: Devem estar os dois pais presentes e mesmo que haja filhos de idades muito diferentes, é preferível falar com todos ao mesmo tempo para que não haja dúvidas para ninguém sobre o que foi dito e decidido, numa linguagem que todos percebam.

Deixar claro que cada um dos pais assume as suas responsabilidades enquanto pais, mesmo que haja desacordo enquanto casal. Deixar claro que os pais podem estar muito tristes por não conseguirem continuar a viver juntos mas não estão nada arrependidos de terem tido aquele(s) filho(s) e continuam contente por tê-lo(s). O amor dos pais para os filhos não depende do amor do casal.

Ouvir os filhos e estar disponível para as perguntas: “Tenho de escolher com quem vou morar? Vou mudar de escola? Quem é que me vai levar agora à natação? Vou deixar de estar com o avô?” Etc. As respostas deverão ser honestas e verdadeiras, com a intenção de reduzir a ansiedade. A principal preocupação dos filhos é se os pais vão continuar presentes na sua vida e de que forma.

Por fim, e mais uma vez, pais tranquilos = filhos tranquilos: quanto mais se mostrarem calmos, seguros e confiantes, no momento de darem a notícia, mais tranquilidade vão os filhos sentir.

Maria Portugal é psicóloga.
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