Aplausos para todas as mulheres que passam pela gravidez como uma brisa suave de primavera. Trabalham até ao fim, conseguem levantar as pernas bem alto na ginástica e não se deixam vergar. No entanto não somos todas assim.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

Yoga na gravidez

É difícil tentar explicar a um homem ou mulher que nunca teve filhos o que significa estar grávida. Neste momento é como andar 24 horas por dia com uma mochila de cinco quilos presa à parte da frente do corpo. E ter de fazer tudo assim. E não só. É ter dor de barriga em sítios estranhos do corpo porque os intestinos mudaram de lugar. É respirar mal quando estou de barriga para cima porque o peso do bebé implica com os pulmões.

É ter dores várias e generalizadas e não saber bem onde nem porquê. É andar a pé e ficar KO é estar sentada e ficar dorida. É dormir apenas numa posição e acordar perra como uma dobradiça enferrujada. É ter o cérebro mais lento porque parte dele está ocupado com coisas de bebé – concentradíssimo nesta função de gerar uma pessoa. 

Gravidez não é doença, verdade, mas é quase. Até porque há mulheres que passam tão mal que ficam piores do que se estivessem doentes. Gravidez é difícil e não é justo que esperem o mesmo de nós nesta altura. Não é possível – biologicamente falando. Acontecem coisas hormonais e físicas fora do nosso controlo. Não é mariquice (e se fosse? Qual é o problema?) é necessidade. Precisamos de sossego, de passar à frente nas filas porque não há pernas que aguentem tanto peso, daquele lugar sentada, precisamos de todas as considerações e atenções do mundo, é verdade. Não é capricho, é uma pessoa que vai sair de dentro de nós. Pensem bem: uma pessoa que daqui a uns anos pode descobrir a cura para o cancro. Ou acabar com o mundo – nunca se sabe.

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