O que fazer quando um filho desmaia ou corta um dedo? A Rita já passou por isso e conta-nos tudo. Falámos com duas super enfermeiras que nos deram algumas dicas.

Texto e ilustração: Rita

Das duas primeiras vezes que a minha filha se magoou, tenho de ser franca comigo e com vocês, fui um fiasco como mãe enfermeira. Em ambas as ocasiões estávamos em casa e por sorte o pai estava presente, foi ele que tomou sempre conta da ocorrência. Normalmente tenho a tensão baixa e não fazia ideia que tinha esta tendência para cair para o lado quando vejo a miúda magoada (ou sangue). Primeiro começo por sentir uns suores frios, depois começo a ver pontos brancos e brilhantes (as famosas estrelinhas na banda desenhada) e nesse momento tenho de pôr a cabeça para baixo sob o risco de me tornar a segunda baixa. Ou seja torno-me inútil, só depois de um copo de água com açúcar é que consigo socorrer a criança, o que não está certo.

Há uns tempos estava a tentar entusiasmar a miúda com as artes da culinária – já não era a primeira vez que a punha a cortar tomate e tinha corrido sempre bem – quando ela se cortou. Assim que viu sangue no dedo caiu para o lado. Nesse momento comprovei novamente que os genes são uns filhos da mãe. Eu nunca tinha tido que lidar com uma situação daquelas e estávamos sozinhas portanto tive de aguentar como pude. Desmaiou ela, eu não pude desmaiar.

Enfermeira tigre

A primeira coisa a fazer foi estancar a ferida, a segunda foi ligar a alguém que me pudesse ajudar e é aqui que entra a Sónia. A Sónia é enfermeira e também a mãe cool que inspirou este texto. No momento em que eu parecia uma barata tonta com taquicardia foi ela que me ajudou a segurar as pontas da situação. Por isso sentei-me com ela à mesa do café, juntamente com a Fabíola, também enfermeira, e pedi-lhes dicas preciosas para ajudar mães-péssimas-enfermeiras como eu. Outra coisa excelente que elas me disseram e me deixou descansada foi: “Deste-te ao luxo de te sentires mal quando o pai estava em casa, mas numa situação em que estejas sozinha é tal o choque de adrenalina que vais ser obrigada a reagir”.

Muito importante: estas dicas não são conselhos médicos, são procedimentos que podem ajudar os pais a reagir da melhor forma e conseguir pedir ajuda. 

Aqui vão as dicas.

Em caso de corte:

1 – Manter a calma;

2 – Acalmar a criança;

3 – Lavar o corte com água;

4 – Arranjar um pano limpo para estancar o sangue, apertando;

5 –  Levantar a extremidade/membro, para reduzir a quantidade de sangue que chega até ao corte;

5 – Se não parar de sangrar apertar num sítio mais proximal (mais próximo do centro do corpo);

6 – Pedir ajuda;

Em caso de desmaio:

1 – Manter a calma;

2 – Deitar a criança e levantar as pernas;

3 – Falar com a criança;

4 – Se ela não responder, colocá-la deitada de lado, para facilitar a respiração e evitar qualquer complicação se, por acaso, vomitar.

5 – Pedir ajuda;

Tanto a Sónia como a Fabíola reforçaram a importância da linha Saúde 24 (808 24 24 24 – custo de chamada local) quando chega a hora de pedir ajuda, seja qual for a situação. Um profissional acompanha através do telefone, avalia as circunstâncias e aconselha pais e mães desorientados da melhor forma possível além de, em caso de necessidade, encaminhar os doentes para a instituição de saúde mais apropriada ao seu caso. Funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, 365 dias por ano, portanto estão lá sempre.

E é isto. Para verem como sou fraquinha nestas coisas: só de escrever este texto já estou agoniada, tenho de ir beber água com açúcar e molhar as fontes, até já.

Muito obrigada à Sónia e à Fabíola

Autor

Escreva um comentário