Não gosto de queixinhas, mas adoro queixar-me. E preciso dizer mal da vida e de alguém que me ouça. Vamos a isso?

Texto: Diana
Ilustração: Rita

Durmo mal, não tenho posição, acordo a meio da noite a levar pontapés à bruta. Já não respiro tão bem quando estou deitada e é uma merda.

Sinto-me inchada. Às vezes acho que a minha barriga vai desistir e acabar por rebentar de uma vez por todas por falta de espaço.

Como e fico mal disposta porque o meu estômago está cada vez mais pequeno. Não como e tenho toda a fome do mundo.

Estou irritada porque não durmo, porque não consigo calçar-me como uma pessoa normal, porque não posso comer o que quero nem fumar quando quero. Estou irritada porque o meu corpo não é meu e isso, parecendo que não, chateia.

Gravidez

 

Canso-me muito, só quero chegar a casa e atirar-me para cima da cama mas não posso porque tenho outra para cuidar. Às vezes só me apetece fugir.

Quando é que isto acaba? Como é que me esqueci de como é desagradável este estado de desgraça que é  gravidez? Como?

O meu melhor amigo é o Kompensan e isso diz muito do ponto em que está a vida da pessoa.

Só me apetece andar nua porque tudo me aperta. Até a minha própria pele.

Ter de ouvir “é para quando? Sóóóó? Tem uma barriga enoooormeeee!”

Já não posso ver séries com psicopatas à noite: fico com pesadelos. Malditas hormonas.

Nunca tive desejos na vida. Mas ontem apeteceram-me salsichas em lata. Coisa que não costumo comer (revirar de olhos).

Sinto-me constantemente como se tivesse engolido uma vitela inteira e a digestão nunca mais acaba.

A única alegria que me restaria era comer. Mas o meu estômago diminuiu tanto que não cabe lá nada. NADA. FICO COM AZIA E MAL DISPOSTA. Nem uma sandes, caramba. Vou chorar.

Socorro.