Sou uma pessoa traumatizada, pelo que nesta segunda ronda o meu objetivo é manter-me elegante e engordar apenas o aconselhado. Não me transformarei num hipopótamo. 

Texto: Diana
Ilustração: Rita

A minha primeira gravidez foi um misto de felicidade, ansiedade e profundo mau estar. Não foi coisa que me tivesse agradado e, em parte, a culpa foi dos 30 quilos que engordei à conta das toneladas de comida que enfiava boca abaixo como se não houvesse amanhã. Eu era uma mãe hipopótama e, como tal, tinha de me abastecer para que a cria nascesse robusta, como os hipopótamos devem ser. No fim eu deixei de ter formas – era apenas uma enorme bola – e a cria nasceu pequenota. Os alimentos ficaram todos para mim.

Agora, a brincadeira é diferente. A ansiedade é bastante menor e a fome também o que, parecendo que não, ajuda. Já sei o que vai acontecer ao meu corpo, nada é novidade e não cedo a tentações. Não devoro tigelas de massa a qualquer hora do dia nem como embalagens inteiras de gelado. Não como gelado, de todo. Nem bolos, nem nem porcarias.

Hipopotamo

Porém, os quilos multiplicam-se do dia para a noite e mesmo com sopa, verdes em vez de hidratos (à noite), nada de bolos, nem sobremesas, pão especial sem farinha de trigo e sem açúcar, mesmo com todas as porras saudáveis que como, consegui a proeza de engordar 5 quilos num só mês. Foram os únicos quilos que engordei em 5 meses mas a minha médica deu-me um raspanete.

Não auguro nada de bom e acho que o melhor é mentalizar-me que sou daquelas mulheres que engordam muito quando engravidam. Que nunca serão elegantes, delicadas, maravilhosos seres estreitos com apenas uma protuberância estomacal. Se é para estar, é para estar em grande, pensa o meu metabolismo que se torna mais lento do que um caracol coxo. Tenho uma barriga tão grande que as pessoas perguntam “já falta pouco, hein?” Fofos.

Comprei uma balança para que não seja apanhada de surpresa nas consultas – sempre me dá tempo para preparar uns argumentos valentes. Hipopótama, mas esclarecida. Amén.