No início é como se nada estivesse a acontecer. Não se conta, é segredo, os médicos não dão muitas esperanças e as enfermeiras nem sequer entregam o boletim da grávida. Mas a verdade é que está qualquer coisa a crescer dentro do corpo.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

Tenho alguma inveja daquelas mulheres que só descobrem que estão grávidas lá para o quarto mês. Já passaram a pior parte, aquela altura em que ninguém pode saber porque, tal como dizia o genérico do primeiro Big Brother, “tudo pode acontecer”, comeram de tudo, beberam e a criança está ali impecável. Não tiveram mamas explosivas, nem barrigas apressadas – tudo supimpa, xuxu, do caraças.

Quando eu engravido o meu corpo entra em modo de sobrevivência a qualquer custo. Os alarmes começam a tocar, as sirenes vermelhas ligam, as minhas mamas tornam-se bossas de camelo mas à frente e a minha barriga começa a ganhar espaço e a acumular gordura não vá eu estar a preparar-me para parir um elefante. Não há como ignorar os sinais. E mesmo que não possa dizer a ninguém e que a minha médica seja cautelosa e não faça uma festa por causa de um embrião, as dores do meu útero não me dão folga (se calhar é mesmo um elefante) e já faltou mais para as minhas mamas terem direito a personalidade jurídica.

Quando fui à médica já estava nas 8 semanas. Nada de foguetes mas um embrião já com cabeça e rabo – nada mau. Um coração acelerado, como deve ser, e um papel manhoso com o meu nome e o meu peso na primeira consulta. Não me deram caderneta de grávida mas pesaram-me logo, as espertinhas.

O mundo não sabe o quão difícil é ignorar esses primeiros meses, essas primeiras semanas, não nos apegarmos muito à coisa, não vá correr mal, quando essa mesma coisa faz questão de se mostrar presente a todos os minutos do dia.

Agora que as 12 semanas já passaram e que tudo está bem, posso dizer ao mundo: estou grávida, caramba. Tenho uma barriga daqui até ao quarteirão seguinte, faço chichi de meia em meia hora, acordo durante a noite com pequenos pontapés interiores e já não me lembro do que é pegar num bebé ao colo. Mas estou mais calma, mais descontraída e com menos fome. Porém, já com vários quilos a mais.

Vou precisar de muito amor e carinho, ok?