Se estiverem com falta de ideias para marcar objectivos para o novo ano, nós ajudamos. 2018 será um bom ano para quê? 

Texto e ilustração: Rita

1. Para nos sentirmos menos culpadas. Se andavam distraídas quando iniciámos este blog, partilho aqui um texto que foi a primeira árvore que plantámos na selva amãezónica. Uma grande árvore, como um embondeiro. Fala de culpa e sobre porque é que devemos abandoná-la, como e porquê. A papinha toda feita pela minha comadre Diana. Se ainda não abraçaram este desafio, 2018 é um bom ano para isso (sim, porque pode demorar algum tempo).

2. Para fazermos o que queremos. Há alguma coisa que sempre quiseram fazer e nunca puderam/se deram ao trabalho/tiveram coragem? Pode ser pintar o cabelo de rosa, aprender a tocar guitarra, escalar uma montanha, entrar nas aulas de dança, fazer um workshop de cozinha vegetariana ou uma viagem a Itália. O tempo foi passando e nunca aconteceu? Se for preciso ganhem coragem ou preparem um mealheiro e que aconteça agora!

3. Para distribuirmos tarefas caseiras de forma mais equilibrada. Habituámo-nos a ver a disposição dos copos no armário à nossa maneira, a ver a roupa dobrada na gaveta como gostamos, a ter a sopa triturada à medida do nosso paladar e por vezes custa um bocadinho passar a tarefa ao próximo. Mas por um mundo mais justo, está mais que na hora. E mesmo que as coisas não estejam exactamente como estamos acostumadas, sabe muito bem que seja a nossa cara metade a estender a roupa (sim, mesmo que ponha as molas no sítio errado). 3,2,1 distribuam tarefas! (Se não tiverem ideia de como o fazer, temos aqui algumas dicas, aproveitem).

4. Para sermos feministas. Por nós e pelas nossas filhas e filhos. Estamos em pleno século XIX e a realidade continua a ser penosa de aceitar. Feminismo não é mais que igualdade entre homens e mulheres. Parece simples, mas ainda tem que ser defendido.

5. Para namorarmos. Porque namorar também é não nos esquecermos de nós. O objectivo a atingir para conseguir ter tempo para isto depois de ter filhos é não nos deixarmos engolir pela rotina. Parece fácil e — tchanam — não é. Não há surpresas. Quando chegamos a casa cansadas e às quinhentas, a selva está instalada e o jantar não existe, apetece fazer apenas o essencial: vestir um pijaminha e acordar no dia seguinte fresca e fofa, mas é preciso resistir.

Bom 2018

6. Para aceitarmos as nossas imperfeições. (E algumas dos outros, vá). Esta é para quem sofre de perfeccionismo. E depois ansiedade associada ao perfeccionismo. E a seguir de culpa. Só coisas más. Socorro. Tudo pode melhorar com alguns exercícios de aceitação. Temos defeitos, não somos excelentes em tudo, desde o trabalho à maternidade/paternidade, mas alguém é? Atenção, isto é para aceitarem as imperfeições razoáveis, nada de abusos.

7. Para dizermos que não. Às vezes custa fazer isso. Mas quem não disse já que sim, mesmo quando sentia que devia dizer não? Ao chefe, ao namorado, à namorada, aos amigos, aos pais, aos tios, ao cão. O melhor é simplificar e dar a nega quando é preciso. Porque senão somos engolidos pela pressão e há aquele dia em que explodimos.

8. Para reservarmos algum tempo para nós. Cada vez que clico em links com notícias sobre estatísticas da distribuição de tempos livres e de lazer para as mulheres, estamos sempre em último lugar. Está na altura de contrariar isso e marcar pelo menos uma vez por mês para sair de casa e ir tomar café com a amiga que não vemos há meio ano, ir ao cinema (sozinhas ou acompanhadas), ou descer simplesmente ao café da esquina e ler um livro durante 30 minutos.

9. Para comprar o nosso livro. Em qualquer livraria do país. É que está quase a acabar. Aqui estão 10 razões para o fazer.

10. Para abandonar o artificial. Desistam da pasta de dentes e do esfoliante com micro plásticos, da comida com corantes, da roupa acrílica, dos plásticos descartáveis. Abracem o natural. Lembrem-se das baleias (não do Roberto Carlos) e escolham coisas mais verdes e amigas do ambiente.

11. Para cumprir pelo menos uma resolução. Não tem que ser o que as que outras pessoas sugerem. O que é encantador para a vizinha do lado às vezes é um pesadelo para nós. A começar nos hábitos e a acabar no perfume que fica a pairar nas escadas. Encontrem as vossas resoluções, escolham pelo menos uma, das difíceis e façam-na acontecer. Mesmo que vos chamem bitches.