Familiares, prendas aos molhos, comida que não acaba, filas nos supermercados, centros comerciais do demónio. O Natal é uma época linda. Só que não.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

O que é que nós queremos? Que o Natal passe depressa. Quando é que queremos? Já. Mas porquê? O que raio tornou o Natal neste pesadelo anual? O facto de termos tido filhos e de o Natal passar a ser feito lá em casa. O que costumava ser uma noite a comer, sentada no sofá, e cheia de prendas no final, tornou-se uma cena de adultos em que sou obrigada a comprar “um queijinho da Serra” porque fica sempre bem numa mesa de Natal. Uma pessoa cozinha, planeia, gasta dinheiro para não ouvir nem “isto está divinal”, ou um mero “está bom”. Quando se dá por ela, já só há papéis rasgados no chão e quilos de frutos secos na mesa. E tudo para arrumar.

Este ano vamos tentar pequenas coisas que irão facilitar esta época e, quem sabe torná-la outra vez uma verdadeira maravilha. Presentes, já se sabe que se não forem vocês a comprar para vocês mesmas, nada feito.

Sobreviver Natal

Amigo secreto

Desde há dois anos que na minha família fazemos amigo secreto. Não há stresses de compras em todos os momentos de folga nem um acumular de prendas sem significado só porque temos de dar alguma coisa. Assim, cada pessoa só tem de comprar uma prenda, uma coisa mesmo especial para a pessoa que lhe calhou. As crianças, claro, ficam de fora disto e enchem os braços de prendas. Sortudos. E nem é preciso encontrarem-se para tirar o papelinho e ver quem calhou: faz-se tudo online. Ou no Elfster, ou no Secret Santa. Qualquer um deles funciona bem.

Este ano não se cozinha

Horas à frente dos tachos, a arranjar as couves para o bacalhau, ou a cortar batatas, ou a cozer o polvo na panela de pressão, a fazer sonhos, filhós, troncos de Natal, perú ou o que quer que comam no Natal, para quando finalmente chegam à mesa estão tão cansados e sem fome que já só querem ir dormir. Este ano encomendem a ceia. Há uma série de sítios com preços acessíveis, é só escolher. Façam as contas e dividam por toda a família: assim custa menos.

Despachem a coisa antes da meia noite

Isto só conta se estiver a ser um verdadeiro suplício. E também só funciona se tiverem miúdos pequenos. Usem-nos como desculpa para abrir as prendas mais cedo – coitadinhos têm de dormir.

Arranjem um filme para manter todos calados

O tio não se dá com a prima que não gosta da irmã que não fala com a mãe? Arranjem um filme de Natal, daqueles mesmo bons, façam disso uma tradição e enquanto se concentram na televisão, não discutem. Paz e sossego, anjinhos a cantar, etc. Isto também vale para o Natal cheio de miúdos demasiado entusiasmados e ligados à corrente: basta pô-los em frente à televisão, já diziam os Xutos, ainda que em jeito de crítica. Mas no Natal vale tudo.