Da gravidez ao parto, passando pelas agressões e abusos sexuais, pela sociedade pouco amiga do feminino, até à pressão social da beleza e do que se espera da mulher. Fortes.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

Não se deixem enganar pelas rendas da nossa roupa interior, pelo perfume do nosso shampô e creme de corpo. Não deixem que os saltos altos vos ceguem. Não pensem que os nossos sorrisos quando atiram um piropo lá no trabalho são um sinal de concordância, não julguem que à mínima aragem nos constipamos ou desmaiamos.

Nós inchamos, os nossos órgãos movem-se e durante 9 meses alimentamos e albergamos outro ser. Aguentamos estoicamente só o vermos de mês a mês, suportamos todos os outros dias sem termos a certeza de que está tudo bem lá dentro, enquanto trabalhamos e tomamos conta de tudo à nossa volta.

Sobrevivemos aos apalpões no autocarro, aos da escola preparatória, aos malucos que se mostram na rua e aos que dizem coisas nojentas. A maioria das vezes sem responder porque sabemos que não vale a pena, ninguém ouviria e as consequências poderiam ser piores.

We can do it

Aprendemos rapidamente que não podemos andar na rua sozinhas à noite – pelo menos não em todo o lado – e que se o fizermos temos de ter todos os sentidos alerta e nunca protestamos nem gritamos como isso é injusto. Tal como não pontapeamos quem acha que só porque vestimos sais curtas e decotes “estamos a pedi-las”. Mas devíamos.

Aguentamos sem pestanejar um filho que nos chama de cinco em cinco minutos porque, por alguma razão, a palavra “mãe” tem mais saída do que a palavra “pai”. Gostávamos que não fosse assim e que a coisa se dividisse mas o que é que se há de fazer? Ignorar os putos? Às vezes sim, mas não por muito tempo.

Somos valentes porque ouvimos de todas as bocas “deve ser uma gaja” quando um carro faz uma manobra má ou demora muito a estacionar. Porque ouvimos “isso é coisa de gaja” como se fosse uma coisa má e porque, vá-se lá saber porquê, chamar “menina” a um homem é uma ofensa. Porque ser rapariga é horrível.

As mulheres são valentes, as que apanham pancada de manhã à noite e mesmo assim arranjam forma de sobreviver e de criar filhos bons. As mulheres são valentes, as que põem crianças no mundo que ao sair rasgam a pele e elas não se queixam, são valentes as que trabalham de madrugada a limpar as porcaria dos outros, as que ganham menos que o colega apesar de fazerem o mesmo, as que são despedidas durante a licença de maternidade mas conseguem dar a volta, as que, enfim, resistem maravilhosas a anos de opressão, a corridas até ao carro no parque de estacionamento (não vá o diabo tecê-las) e a mergulhos no mar de biquini.

As meninas do SNL explicam melhor: