É rápida e bastante simples de se fazer. Leva poucos ingredientes embora alguns sejam incompreensíveis. O resultado é um dia dos infernos.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

Junta-se 15 ou mais quilos de uma filha mal dormida com uma pitada de entusiasmo dos pais, afinal é fim de semana e ninguém vai trabalhar (embora no final do dia reflictam sobre isso e concluam que trabalhar teria sido melhor). O resultado deverá ser uma birra logo pela manhã porque a) a criança irrita-se com os sorrisos dos pais, b) a criança não quer torradas, nem cereais, nem iogurte, nem ovo mexido, a criança não quer nada além de se lamuriar, c) a criança embirrou que quer apenas chocolate e desenhos animados.

Diabo chef

Depois do primeiro prato estar despachado, é altura de começar o resto do dia. Junte-se muita paciência dos pais que mantêm estoicamente a sua alegria apesar dos nãos peremptórios da petiza. Não, ela não quer vestir aquela roupa, não ela não quer sair de casa, não ela não quer almoçar fora nem passear. Ela quer vestir-se de princesa e passar o dia em frente à televisão. Depois da batalha campal que foi vestir a criança, adicione-se uma crescente falta de boa vontade dos pais e uma pitada – só uma pitada – de chantagem. O resultado será uns pais cada vez mais enervados e uma filha cada vez mais amuada e dizer “tenho calor esta camisola é muito quente” cerca de 20 vezes seguidas.

O terceiro e último passo desta receita é a sobrevivência a qualquer custo. Por esta altura já tudo deverá estar a ferver em pouca água, com várias colheres de sopa de gritos, dois litros de lágrimas infantis, muita chantagem e castigos vários que não surtem efeito e um relógio que nunca mais avança para as 20h.

No final do dia fatídico, juntar ainda uma birra para jantar, outra para lavar os dentes e mais uma para dormir. Quando pensarem que tudo estará servido haverá dois pedidos para ir à casa de banho, um ataque de fome e lamúrias intermináveis.

Bom apetite!