Choro como nunca chorei na vida, excepto no último episódio do “Roque Santeiro” – só tinha 6 anos mas já era muito dramática.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

O único lugar no qual me consigo pôr é no das mulheres com filhos e como este mundo está todo lixado, para não dizer fodido mesmo, passo os dias a comover-me.

Eu, misantropa feroz, eu que me aborreço com a maioria dos seres humanos, ponho-me no lugar de todos os pais deste mundo, quanto mais dramática a questão mais a sinto. Sofro com notícias, com reportagens, com as histórias de famílias despedaçadas, destruídas. Choro e tremo: e se fosse comigo? A culpa é da Conceição Lino, claro.

E se eu já tinha tendência para ver o lado mau de todas as questões, se quando era miúda me auto censurava quando estava demasiado feliz – sempre achei que não merecia tanta felicidade e, como tal, algo terrível deveria estar para acontecer – agora estou pior que nunca. Vejo sinais em todo o lado, imagino coisas horríveis à noite antes de adormecer, a minha filha a ser levada por um carro, um baque surdo, o meu horror, a minha filha a desaparecer na multidão, só desgraças.

Se vejo um miúdo a cair preocupo-me e tenho vontade de abraçá-lo e dizer-lhe que já passou, eu que nem gosto particularmente de crianças.

As séries policiais dão cabo da minha confiança na Humanidade, que já era pouca, e dou por mim a desconfiar de tudo e a fazer verdadeiros guiões na minha cabeça – tudo pode acontecer, como no primeiro Big Brother.

Medo

A maternidade acordou em mim o monstro do pavor que, vá lá, ataca mais de noite quando a confiança nos abandona e tudo parece muito pior do que é.