Chegámos ao capítulo três desta maravilhosa saga masculina. Que surpresas nos revelará no final?
Texto: Pai preocupado com os homens em geral e com os futuros companheiros de profissão em particular
Ilustração: Rita
Se vocês soubessem como eu tremia no primeiro dia em que aquela coisa pequena veio para casa. Não dava para notar porque sou óptimo a disfarçar, mas se vocês soubessem como eu tremia… Porque não sabia o que fazer primeiro e resolver depois, porque não sabia como ajudar quando a mãe da criança fazia o que tinha a fazer, porque a mãe da criança às tantas também não sabia muito bem o que fazer.
E descobri rapidamente que a missão do pai, naqueles primeiros dias, é manter a civilização de pé, continuar a acreditar na humanidade e explicar ao resto das pessoas em casa que vai ficar tudo bem, impedir que de repente acreditemos todos que a vida vai ser só aquilo para sempre.
Já agora, “só aquilo” quer dizer medo de tudo, não dormir, ataques de nervos a toda a hora, dúvidas constantes que quase roçam o arrependimento e uma vontade enorme de aproveitar qualquer oportunidade para fugir. “Sim eu vou ao supermercado”, “sim, eu vou pôr o lixo lá fora”, “sim, deixei o carro mal estacionado, vai daí tenho que ir lá fora tratar disso”.
Mas isso não basta para esconder o essencial: faz-te um homem, miúdo. A ideia é essa. Um gajo de repente tem de se fazer um homem, porque não há outro. E homem aqui consiste em garantir que não falta nada à nova mãe e ao ser recém nascido. Porque ninguém venha dizer que não são eles que interessam. Porque são só eles que interessam. Mas é difícil assegurar que a relação que os une e começa naquele momento arranca da melhor maneira.

Pai biberao

Isto não é machismo, pode ser paternalismo sim porque implica a vida de um pai. Mas de machismo não tem nada. Tem a ver com encontrarmos o nosso lugar no meio da confusão, é só isso. Mas isso é difícil de conseguir. Porque num dia somos quase pós-adolescentes (a adolescência é uma coisa que agora acaba muito tarde) e no outro temos uma pessoa nova no mundo com o nosso apelido. Até então, a coisa de maior responsabilidade que nos passava pelas mãos era a declaração de IRS e uma multa ou outra da Segurança Social que interessava não deixar acumular mais juros.
E nada disso se compara com uma criança que é mais uma espécie de vegetal e que não pára de chorar e que nunca está satisfeita e que só dorme de determinada maneira e que nunca sabemos muito bem se está a respirar ou não.
A boa notícia é que tudo isto passa e se transforma noutra coisa bem melhor. Na altura não o sabemos, claro, mas passa. E é quando passa que tudo se torna interessante. Eu explico-vos como e porquê.