Já tivemos 15, adolescentes esquisitas e irritantes, já tivemos 20, na faculdade e a descobrir o que éramos ao certo e agora já passámos os 30, não aguentamos muito tempo em pé (a menos que seja num concerto) e ficamos facilmente com a cabeça em água. Estes são os cinco sinais de que estamos acabadas.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

Agosto era aquele mês incrível, de calor e praia, Festival do Sudoeste, mochila às costas e tendas debaixo dos pinheiros. Agosto era o mês mais ansiado o ano inteiro, a única coisa que importava. A melhor hora para acordar era tarde e as noites eram para sair. Hoje se chegarmos ao fim de um episódio de “A Guerra dos Tronos” sem adormecer, é uma vitória.

Sem darmos conta o corpo (e a mente) começou a enviar-nos sinais de que as coisas já não eram como antigamente. Como eram antes de termos passado a fronteira dos 30, rapidamente e em força a caminho dos 40.

 

30 lady

  • Agosto é o mês mais odiado: as creches fecham deixando os pais desesperados a ter de aturar as crianças todos os dias da semana. Já não se lida bem com o calor, a tensão baixa, o corpo fica pegajoso e só sonhamos com aquele fresquinho do inverno.
  • A hora preferida é de manhã cedo: aquela hora em que o sol está a nascer e não se ouve nada, nem em casa nem na vizinhança. Aquela hora de paz e silêncio absoluto só possível quando se acorda com as galinhas.
  • Sofre-se de maleitas várias: tendinites, ciática, rinite, sinusite. Dores inexplicáveis que aparecem e desaparecem rapidamente. Condições descobertas depois de anos de ignorância: escolioses, cervicais retificadas, hiperextensões dos braços, miopia.
  • Falta de paciência para tudo no geral: para pessoas que falam alto; para birras de crianças; para adolescentes a ouvir música no telemóvel sem phones; para filas no supermercado e no restaurante e na loja e na paragem do autocarro (como é que os putos passam horas numa fila para entrar numa discoteca?); sair à noite; para restaurantes onde somos mal servidos.
  • Não conseguir dormir em qualquer lado: as tendas no Sudoeste; o chão do comboio no Interrail; nas filas para os concertos; no chão da casa dos amigos estilo tudo ao molho e fé em Deus; numa camarata de um hostel.

Estamos acabadas.