A Carla foi mãe há pouco tempo e, imagine-se, tem saudades do ginásio. E de dormir, muito.

Texto: Carla Brito
Ilustração: Rita

– Em que dia nasceu o teu bebé?
11 de Maio de 2017, com 36 semanas e 6 dias. Nada fazia prever uma antecipação. Estava em casa e sem qualquer tipo de dor ou contração, rebentaram as águas. O Henrique tinha mesmo que nascer. Não havia volta a dar.

– Como foi o primeiro dia com ele no mundo, em termos do teu estado de espírito?
Foi um mix feelings. Estava aliviada por finalmente o trabalho de parto e o momento da expulsão terem terminado, pois estava mesmo muito cansada. Quando finalmente respirei fundo, já o tinha sobre o meu peito e percebi que tudo estava bem com os dois, comecei a descer à terra. A expressão “tenho um filho” soava-me estranho, apesar de ter sido muito desejado e planeado. Mas eu, uma “miúda”, tenho um filho! “Porra, mas como é que isto é possível?” Mas a partir daí foi deixar-me levar pelo momento: olhar para ele, contemplá-lo, deixá-lo sentir-me e senti-lo na minha pele. Estava feliz!

Nova mae

– Neste momento, o que é que está a ser mais difícil para ti?
Adormecê-lo à noite. Ainda não consegui percebê-lo, ou perceber o que funciona. Chegamos às 22 horas e depois de mamar ele desperta para a vida. Nos dias bons, só adormece entre a 1h e as 2h da madrugada. Custa! Custa muito!

– O que é que te passa pela cabeça quando te vês sozinha, com ele nos braços, e ele não para de chorar?

Pela cabeça não me passa nada, mas o sistema nervoso altera-se um pouco. Não há como evitar quando, à 1h da madrugada já estou tão cansada de o tentar adormecer que fico irritada! Resta respirar fundo e tentar outra técnica/teoria para ver se funciona, porque estarmos irritadas só os irrita mais a eles também e não saímos deste ciclo negativo!

Inspiraaaaa…. Expira!

PS: Também digo uns palavrões para dentro, ajuda a aliviar os nervos.

– Uma palavra que defina o momento em que te encontras.
Sono.

– O que é que gostavas que fosse diferente?
Que ele adormecesse à noite sem stress e dormisse mais do que 2,5-3 horas seguidas. Preciso muito de voltar a dormir bem! Mesmo!

– Expectativa Vs. realidade: quantas e quais expectativas, até agora, já foram defraudadas?
Tenho o hábito de não criar expectativas. Isso faz com que não me sinta frustrada quando alguma coisa não corre bem. A única coisa que me preocupava realmente antes do Henrique nascer, eram as noites mal dormidas. Sou pessoa que não vive muito bem durante o dia, quando a noite foi curta ou interrompida. Mas o facto de, durante a gravidez, me mentalizar que isso poderia mesmo acontecer, fez com que agora lide com calma com a situação.

A única expectativa que talvez tenha sido defraudada, é o facto de eu ter pensado que teria mais tempo para a vida individual e para as lides domésticas. Mas ele, talvez por ser um pouco prematuro, exige-me constantemente. Precisa de muito contacto. Adormece e dorme espetacularmente bem ao colo, encostado no meu peito e ao inicio exigia constantemente a mama.

No primeiro mês não almoçava se o pai não estivesse em casa para me ajudar, almoçava e jantava com ele sempre ao colo, tomava banho às 2h da manhã depois de ele – finalmente – adormecer.

É um bebé que não dorme muito, as sestas durante o dia são muito curtas, por isso não me sobra mesmo tempo para nada. E a vontade que eu tenho de voltar ao ginásio?

– Boas surpresas?
A maternidade para mim está a ser uma excelente surpresa no geral.  Adoro ver a progressão dele de dia para dia. Todos os dias há uma nova descoberta, uma evolução.

É delicioso!

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3 Comentários

  1. Sbarreiros

    Aqui mãe de bebé de seis semanas e revo-me em muitas palavras da Carla.
    Força a todas as mães!

  2. Parabéns à mamã! Ehehe parece a descrição do meu primeiro filho. Agora já vou na segunda e tudo corre melhor embora ainda não me tenha decidido se a razão de correr melhor é: a) eu ter mais experiência; b) cada criança é diferente independentemente do que façamos para lidar com ela.
    De qualquer modo, em relação ao sono, suponho que ajuda muito (julgo que todas as mães fazem isto) ter rotinas para distinguir a sesta do dia do sono mais longo da noite. Espero não soar presumida pois eu sei que botares todos damos mas cuidar deles só custa aos pais.
    De resto, quando estive em desespero (no meu caso basta pouco, porque filhos até nem dormem muito mal , eu é que preciso sempre de dormir bem e muito para me sentir bem) ajudou muito, mas mesmo muito, sobretudo ao início ter pelo menos uma noite inteira em que bebé ficou com outras pessoas. Eu amamento mas nessa noite ela tomou biberão (com dois dias de vida e foi o melhor que eu fiz.
    Aconselho a todas as mães: quando sentirem que já estão no limite, peçam a alguém para ficar uma noite com bebe. Comigo ajudou a ter energias para encarar melhor tudo depois.

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