As meninas são coloridas, pirosas, alegres, faladoras e decididas. Gostam de vestidos brilhantes e de colares e pulseiras que coordenam na perfeição com bolas, espadas e capas de super herói. 

Texto: Diana
Ilustração: Rita:

Não sei como é ter meninos, mas adoro meninas. A minha filha, que nem quatro anos tem ainda, virou-se para mim e disse: “Olha aqui, mãe”, enquanto desfilava bamboleando as mini ancas num menear que ninguém lhe ensinou. Amoroso.

Só quer vestidos com padrões, coisas cor de rosa, de preferência brilhantes. As saias têm de rodar senão não tem graça, dá-me festinhas na cara e nos braços só porque sim e abraços apertados porque é um doce de miúda. E depois sobe para as costas do sofá e dá saltos épicos, sobe às árvores, dá cambalhotas na cama, luta com o sabre de luz, anda de trotineta e já me pediu uns patins. Mas não gosta de ter a roupa suja e pede para mudar caso veja uma nódoa. Comida nas mãos, tal como areia, também não é aceitável. Que menina.

A minha filha tem uma voz fininha que usa muito para falar sem parar e para cantar, tentando alguns vibratos que ouve nas canções que gosta. É hilariante. Gosta de tranças no cabelo embora tenha uns caracóis impossíveis de domar, de ganchos e totós. Abana o cabelo solto só para o sentir no pescoço e na cara, porque sim.

sou forte

Ela tem uma malinha prateada com uma borboleta brilhante na parte da frente que enche de bonecos da Patrulha Pata com os quais nunca brinca e com uma harmónica que gosta de tocar como se fosse o Tom Sawyer.

O arco-íris é desenhado até à exaustão porque ainda não decorou bem as sete cores que o compõem e quando gosta muito de uma coisa exclama um “uauuuu” meio sussurrado e às vezes acrescenta que essa coisa “é muito gira”. Logo a seguir faz músculo com os braços e diz que é dura e forte. E é.