A minha filha tem umas leggings do Batman mas no outro dia chegou a casa a queixar-se que o João lhe disse que o Cavaleiro das Trevas não é para meninas. E eu expliquei-lhe que é.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

“Os meninos não podem usar saia, nem pulseiras”, disse-me ela há uns tempos. Tão pequenina e já cheia de preconceitos. Não foi a primeira vez que ela fez comentários acerca do que é suposto ser de menina e de menino. Aquilo que a sociedade ensina, mesmo quando ninguém lhe perguntou nada, e que os miúdos repetem na escola, não fazendo ideia do que estão a dizer.

A minha filha tem umas leggings do Batman — ou Bataman, como ela lhe chama — compradas na H&M, escolhida por ela num momento de grande alegria. Um dia chegou a casa e disse que o João, um colega, lhe tinha dito que o Cavaleiro das Trevas não era coisa de meninas, era só para rapazes. E ela ficou triste. Claro que esta conversa teve, convenientemente, lugar à hora de deitar, altura em que ela aproveita para atrasar ao máximo o momento de deitar a cabeça na almofada, pelo que pode ter sido tanga. Mas aproveitei a deixa para lhe abrir a mente e depositar nela ideias de igualdade e liberdade, dois maravilhosos conceitos que tento passar-lhe com frequência para que ela absorva tudo como a bela esponja que é.

batgirl

Disse-lhe que o Batman era para todos, meninos ou meninas, e que cada um é que sabia do que gostava mais. Os meninos podiam gostar de princesas e as meninas de super-heróis e astronautas. Expliquei-lhe que não há coisas de menino e coisas de menina: tudo é de todos, cada um decide e não deve chatear os outros pelas escolhas deles. Ela pareceu ficar genuinamente feliz com a minha resposta, como se o mundo fosse um lugar incrível e cheio de possibilidades. Ainda assim, não me livro das princesas da Disney nem por nada. Mil vezes o Bataman.