Não há nada mais bonito do que a verdadeira amizade. Nem nada melhor do que um grupo de mulheres unidas que em vez de se olharem de alto a baixo se abraçam. Porque andamos todas ao mesmo.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

Não vamos falar de feminismo. Não é isso, nada temam. A palavra ainda assusta muita gente, deixem lá isso, por agora. O assunto que nos traz aqui hoje é fofinho. Uma espécie de ode à solidariedade feminina que às vezes parece ser mais rara que os avistamentos do Bigfoot nos Himalaias.

Em vez de praticarmos a empatia e solidariedade para com as nossas companheiras de género, insistimos em comparar-nos e em avaliar de forma agressiva e carregada de julgamento aquilo que trazem vestido, a forma como se penteiam, se maquilham, expressam. Como se outra fêmea fosse uma ameaça à sobrevivência da espécie.  Miúdas, os tempos das cavernas já lá vão e nós somos animais pensantes cujos objectivos vão além de fazer bebés com um exemplar masculino mais forte e capaz de caçar.

Quando damos por nós estamos envoltas numa nuvem de inveja que, francamente, é desagradável. Ao apoio que nós, mulheres, precisamos umas das outras os americanos chamam “leaning in”, que traduzido à letra significa “inclinar”, mas vocês percebem a ideia: ombro com ombro.

Empoderamento feminino

Numa altura em que a igualdade de oportunidades ainda não existe, não faz sentido sermos inimigas umas das outras – o mundo no geral e a natureza em particular já fazem esse belo serviço. Puxando à moralidade da coisa a ideia é esta: quanto mais felizes ficarmos com o sucesso da outra, melhores vamos querer ser. E juntas poderemos melhorar o mundo. Juntas poderemos acabar com os despedimentos de mulheres que cometeram o imenso e proibido pecado laboral de engravidar. Mas se estivermos ocupadas a dizer mal da não sei quantas ou a invejar as pernas altas da outra, não teremos espaço no cérebro para ver as injustiças às quais as mulheres ainda são submetidas.

A verdade é que as mulheres já são suficientemente duras com elas próprias: sentem culpa por qualquer razão, acham sempre que não são boas o suficiente, tendem a achar que não são capazes e que podiam fazer melhor, mesmo que se esfolem 12 hora por dia. A última coisa que precisam é de outra mulher a fazê-las sentir pior.

Que espécie de diferença faz na nossa vida o facto da não sei quantas gostar de usar decotes? Ou que fulana tenha o cabelo mal descolorado? Ou que a outra seja linda de morrer? Ou que sicrana tenha muitos namorados? Objectivamente, que raio de implicações têm essas merdas no vosso dia a dia? Querem ver que não acordamos todas com mau hálito e cara de joelho? Querem  ver que não sentimos todas cerca de 34 inseguranças desde que acordamos até que nos deitamos? Senhoras, andamos todas ao mesmo. E não é a caçar homens.