A Joana foi parar à Noruega, a Sara está na Roménia, a Ana na Holanda, Joana foi para a Irlanda, a Diana rumou a Macau, a Teresa está em França, a Andreia e a Maria foram para a Suíça, a Sílvia foi para Moçambique, a Rita escolheu a Bélgica para emigrar, a Mafalda foi para a Suécia, a Sofia para o Qatar, a Irene foi para o Brasil, a Rute foi parar a Inglaterra e a Marisa escolheu o Luxemburgo. São portuguesas a trabalhar e a criar filhos noutros países, e que nos contam as diferenças entre lá e cá.

Texto: Joana Mendes
Ilustração: Rita

Ah, o amor. Move montanhas, dizem, e arrasta seres humanos para qualquer parte do mundo. Foi o caso da Joana, professora de línguas, que há seis anos foi parar à Noruega.

“A falta de trabalho na minha área também deu um empurrãozinho”, confessa.

Hoje em dia é educadora de infância de crianças entre 1 e os três anos e é mãe de uma menina com um ano.

Criar a filha longe de Portugal, já se sabe, é difícil: “O suporte familiar é muito importante, senão vital no nosso desenvolvimento e sanidade mental. As maiores dificuldades prendem-se com o facto de não termos a quem recorrer em caso de necessidade. Fez-me muita falta o colo da minha mãe quando a minha filha nasceu, o ombro e o apoio na entrada neste mundo novo que é a maternidade.”

Mas nem tudo é mau.

O facto de ganhares uma estaleca diferente. Ganhas calo e achas que consegues tudo – e efectivamente consegues! Veres a tua filha crescer saudável e maravilhosa, apesar de teres que aguentar este mundo e o outro às vezes, e sentires que também tu estás a crescer.

Sobre o ritmo de vida na Noruega

Bem, eles não são propriamente um povo muito stressado. O dia começa normalmente por volta das 07h30 e há uma certa flexibilidade por parte das empresas para que o dia de trabalho acabe cedo também.

As creches recebem as crianças entre as 07h30/08h00 e normalmente por volta das 16h00 ja não há crianças nos estabelecimentos. Estão muito ao ar livre, só não o fazem se estiverem -10° por causa do ar seco e frio nos pulmões, porque de resto, faça chuva ou sol é ver as crianças brincar e saltar na rua.

Sobre a alimentação

Horrível! No país do bacalhau não comes bacalhau. E um dos pratos mais apreciados é uma pizza… Comem muito bolo de peixe e cachorros, bolas de carne (tipo almôndegas, mas pior), hambúrgueres. Pratos mais confeccionados são, por exemplo, costeletas de cordeiro (péssimo!) e imenso pão.

Sobre a forma como as crianças são vistas

Os bebés e crianças são como “território proibido” a estranhos. Não existe isso de mexer nas crianças, alias é muito mal visto. No meu caso a minha filha é muito espontânea, ri para toda gente e é a loucura das velhinhas! Mas fora isso não há ninguém que peça para pegar ou fazer festas ou ter um contacto mais próximo (estou a falar de estranhos, obviamente).

Nos transportes até agora não tenho tido grandes problemas, sempre fomos respeitadas no sentido de nos ajudarem a entrar e a sair, e a estacionar o carrinho no lugar (os carros de bebé cá têm tendência a ser grandes, quanto maiores as rodas melhor, por causa da neve).

Sobre a língua

Até agora falamos português em casa e damos uns toques no norueguês. Quando for para o infantário vai começar a habituar-se melhor, mas já diz olá em norueguês a toda a gente que passa por ela na rua.

Sobre ser criança na Noruega

Há parques infantis em cada esquina. Os noruegueses andam muito ao ar livre, prezam o contacto com a natureza e há sempre muitos programas seja na rua ou em museus, cinemas e teatros por exemplo.

Há exposicoes, babysang – que é basicamente mães em licença de maternidade que se juntam em eventos específicos para cantar e dançar com os bebés. No Inverno há o ski e patinagem: as crianças aqui nascem com skis nos pés.

Nos restaurantes, como a maior parte tem esplanada muitas vezes os bebés ficam a dormir nos carrinhos cá fora e os pais a jantar lá dentro.

Mae Noruega

Sobre os cuidados médicos

São piores do que se pensa. As consultas médicas, por exemplo, são a despachar e os tempos de espera para exames costumam ser grandes.

Sobre as férias

As férias de Verão são em Julho e chamam-se “fellesferie”, ferias colectivas. O país fica quase vazio e toda a gente ruma para o sul da Europa para o calor. Curiosamente preferem Espanha a Portugal nunca percebi bem porquê.

Depois têm uma semana de férias no Inverno em que vão quase todos para as “hytte” ou cabanas nas montanhas para fazer ski. E mais outra semana na primavera e uma no outono.

O melhor e o pior da Noruega

A Noruega é um país lindo, maravilhoso, de uma natureza brutal. Tens veados a pastar no teu jardim e esquilos a virem comer a tua porta, mas a sociedade é estranha. Se cumprimentas alguém na rua levas rótulo de maluco, se sorris para estranhos, também. São uma sociedade muito fria e fechada. Faz falta o calor do tuga que fala alto e cumprimenta toda gente.
Há muita pobreza nas ruas de Oslo por exemplo, apesar de se ter ideia contrária, há muitos pedintes e muitos toxicodependentes.
São muito restritivos no que diz respeito a medicações, venda de álcool, consumos nas ruas, mas depois há muitos excessos.
Resumindo, não há país mais feliz que o nosso.