Ser amãezónia é isto: não há vítimas, há histórias  (algumas mais tristes), mas há humor e riso da nossa situação, porque a vida não é má. Tem é momentos MUITO maus.
Texto: a leitora do norte
Ilustração: Rita
A malta namora, casa de branco (linda!) e faz a festa a preceito. Pensa e faz as contas, planeia, engravida, faz os exames todos, fica 8 meses sem tocar em álcool e sai uma miúda bem gira. Noites mal dormidas, casamento destabilizado, avós chamados ao barulho para os progenitores irem namorar e as coisas correm bem. Vem segundo? Espera aí e deixa namorar mais um bocado que há tempo…
Com 31 anos fiquei viúva e a minha filha órfã de pai aos 4 anos. Em questão de horas, planos tão simples como a ida à piscina naquele dia ou tão elaborados como o segundo filho e a mudança de casa, caem por terra. Sem aviso. Sem preparação.
viuva
Tudo é diferente. A casa ficou mais vazia. Falta um rodar de chaves na porta. Tudo dá a volta. É preciso trabalhar porque as contas não se pagam sozinhas. As chamadas pensões de sobrevivência só dão para rir. Como levo o lixo? Deixo a miúda sozinha? Espera-se que a miúda adormeça para sofrer porque já lhe tive de explicar que o pai não volta. Nunca mais. Nem para um fim de semana, um Natal ou o casamento.
E as definições? A viúva é uma mulher vestida de preto, cabelo branco, à espera do dia que se junta ao amado? A órfã é uma menina abandonada e condenada?
Quase dois anos passados, aprendi o que se devia aprender suavemente. A vida é curta e acontece. A felicidade é uma atitude perante a vida de aproveitarmos as coisas que nos fazem bem. A minha filha não é nenhuma abandonada e tem crescido mais pobre, mas rodeada de muito amor. Só quero que aprenda que o queixo é para manter erguido e o caminho é sempre para a frente. E que tenha o “pelo na venta” da mãe! Porque já dizia o MEC: “As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer.”
O coração já é outra conversa…