Ora então aqui vai disto: Elsa, mulher do Norte com a idade de Cristo, advogada na maior parte do tempo e que há coisa de três anos pariu uma pirralha teimosa como uma burra e cheia de pêlo na venta (sai à mãe, dizem).

Texto: Elsa Carneiro
Ilustração: Rita

Foi a experiência mais maravilhosa, mais doce, mais tudo que tive na vida, só que não. Maravilhoso era quando eu ia para à night até às tantas, e de manhãzinha ainda ia comer uns croissants quentinhos para depois me esparramar na cama até à hora que me apetecesse; maravilhoso é um dia de praia, caipirinhas e conversa com amigos. Isto do ser mãe minhas ricas, não é maravilhoso, oh oh que não é.

O raio da moça nasceu a berrar e só se calou quatro meses depois. Dormir: no c@£§€\!

Ia enlouquecendo, filhinhas. Não foram poucas as vezes em que tive vontade de a atirar pela janela fora (breath in, breath out, don’t freak out…), nos melhores momentos queria fugir e voltar só quando ela tivesse 18 anos, só que a pessoa pensa: NÃO PODES! NÃO PODES! POD….NÃO PODES! Foi dose. Das grandes, mas não de vodka, que nem isso me deixavam as alminhas do céu… Oh sorte!

Mas pior do que isto, pior, pior foram as Outras: a amiga, a vizinha, a tia, a mãe, a sogra, a (des)conhecida, o raio que as pariu a todas – era metê-las num saco e atirá-las ao rio.

A pessoa já está na merda e é ver as ditas de falso olhar condescendente, cabeça ligeiramente tombada para o lado, a mandar bitaites: olha que a menina tem fome. Já lhe trocaste a fralda? Não usa chucha? Devias insistir mais. Olha que a habituas mal se… CALUDA! (Não disse mas deveria e se fosse hoje era tudo corrido abaixo de Braga).

Mas também havia aquelas do tipo: “O MEU bebé? Não chora, dorme toda a noite, come muito bem, faz o pino e a espargata e já fala russo aos 3 meses”. Mulheres, bicho ruim. Mulheres-mães, que cabras!

Tirando isto, os filhos são sem sombra de dúvida, estudos ou estatísticas, a coisa mais fantástica do mundo. Tornam-nos tão fortes, tão grandes, tão melhores, pintam a nossa vida de corres garridas e têm sorrisos que funcionam como bálsamo para todos os males, por isso esqueçam tudo o que eu disse e leiam só o último parágrafo *adoroosteusgodinhosfilha*.

 

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16 Comentários

  1. Amália

    Clap, Clap, Clap!! Muito bom! Que atire a primeira pedra quem nunca pensou o mesmo!

  2. Já dizia o Sartre “O inferno são os outros”.

  3. Identifico-me a 300%
    Com mais 6 meses de bônus no quesito chorar 😨😜

  4. Been there done that. Como te compreendo. O meu D leva-me ao desespero com a comida. Nunca gostou de mamar. Desisti aos 2,5 meses. O leite adaptado, acho que já experimentei todos. De 15 em 15 dias farta-se do leite e tenho que trocar. Só bebe bem a dormir. Se acordado é birra certa como se não houvesse amanhã. Mas depois, olha para mim e sorri e eu derreto-me toda e o desespero passa e só quero abraçá-lo e Marte-junto sempre apertadíssimo no meu colo, enche-lo de beijos e ficar a olhar para ele feita parva a adora-lo. É assim.

  5. Anabela

    Uii a da “menina tem fome!” É a que me tira mais do sério! Como s não soubéssemos q eles têm q comer! Ainda bem que existem as “outras” senão coitadinhas das crianças -.- 😛

  6. Por acaso não concordo nada!! Tenho 3 filhos e, felizmente, tive quem me deu conselhos, muito bem-vindos! Também se aprende com a experiência dos outros… E espero, um dia, saber dar conselhos, no caso de ser preciso, quer como sogra, quer como mãe!! (Sem me intrometer, claro, mas isso é subjetivo, não é verdade?? Um simples conselho pode ser mal interpretado…)

  7. Emília

    Eu não concordo! Recebi muitos conselhos, apoio… que foram muito bem-vindos! Tive a sorte d eter quem me ajudasse a compreender e conhecer um recém-nascido… Há que saber dar valor a quem o tem.

  8. Emília

    Eu não concordo! Recebi muitos conselhos, apoio… que foram muito bem-vindos! Tive a sorte d eter quem me ajudasse a compreender e conhecer um recém-nascido… Há que saber dar valor a quem o tem.

  9. aiaminhavida

    a sogra, a sogra, aquela cabra. levem-na sff.

  10. Carolina Fordelone

    E como concordo! Com tudo, sem tirar nada! Lol…. E seguimos a vida a sorrir, porque chorar não resulta também.

  11. Vanessa Pereira

    Como me identifiquei! E isto não se aplica só quando eles são bebés! Quando estava grávida era outro caos! O porque a barriga era pequena, ou porque não podia aquilo e etc, ou porque a vizinha tinha uma barriga maior ou melhor o sexo do bebé! Quando nasceu a minha pequena (que actualmente tem 9 anos), o meu leite só “subiu” já estava em casa. Isto causou um reboliço alheio “a bebe precisa do leite da mãe” “vamos apertar que o leite ha-de sair”, “a bebe tem muita fome”, “isso não é saudável” (..) ouvi de tudo. O que custa mais é que nos sentimos muito sozinhas e confusas e acima de tudo cansadas e acabamos por nos irritar e muitas vezes não disfrutar metade do que poderiamos!

  12. Os outros é que sabem!!! Todas sofremos do mesmo😤… No entanto é impossível não falar dos nossos filhos quando estamos com outras mães. É algo que não conseguimos controlar, temos que realçar o quão maravilhosos ou terríveis são tenham eles agora 6 meses ou 40 anos! Yes, I’m also a bitch!

  13. Ana Carreiras

    Concordo com tudo o que li, menos a parte da mãe, que a minha sempre foi o meu porto de abrigo!!!

  14. Lisete Morais

    Podia ter sido escrito por mim… tal e qual!
    Parabéns pelo blog! Desde que o descobri ainda não parei de ler.

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