Ler é sempre o melhor remédio. Em qualquer situação, na dúvida, lê-se. Estes são alguns dos livros que andam a ler-se aqui na selva. E são bem giros.

Autor: Jon Klassen
Editora: Orfeu Negro

“Este chapéu não é meu” pertence a uma trilogia sobre chapéus de Jon Klassen. Tão bem ilustrado que as imagens contam quase tudo: um peixe pequeno, cheio de confiança, decide roubar um chapéu a um peixe muito grande. O plano está traçado, o furto acontece e o peixe pequeno faz figas, acreditando sempre que não será apanhado. A história é simples e ironicamente ninguém terá dificuldade em rever-se nela. (“Quero o meu chapéu” e “Achámos um chapéu” são os outros dois livros que completam a trilogia).

Autor: Benji Davies
Editora: Orfeu Negro

“A Baleia” é uma história tão bonita, que até já fui contá-la à escola da índia mais nova. Noé, filho de um pescador que vive na praia, passa bastante tempo sozinho, e um dia encontra uma pequena baleia encalhada na areia. O rapaz decide salvá-la, cuida dela, conversam e até ouvem música juntos. Tornam-se amigos. Mas esconde esse segredo do pai, que quando chega do trabalho, cansado, não dá por nada. Uma história incrível cheia de pormenores fofinhos da vida real. Nota máxima para Benji Davies.

Autor: Anna Kemp e Sara Olgivie
Editora: Civilização

Este livro é uma galhofa do princípio ao fim, a começar nas roupas e cortes de cabelo dos personagens, e a acabar nas rimas. Maria é uma princesa que vive há que tempos na sua torre e está farta de esperar pelo príncipe encantado. Precisa de conhecer o mundo. Já leu tudo sobre princesas e está pronta para zarpar. Finalmente aparece um príncipe pomposo com coragem de sobra para a resgatar, leva-a no seu cavalo e encerra-a na sua própria torre, entre vestidos e sapatos altos. Mas não era nada disso que a Maria esperava. Um dia avista um dragão e convida-o para tomar um chá. Juntos, mostram ao príncipe que nem todas as princesas são tradicionais. Sopimpa. E para meu espanto, por algumas horas, a mini índia deixou a Elsa de lado e quis ser a princesa Maria.

Autor: Maurice Sendak
Editora: Kalandraka

Com ironia q.b., este livro serve para explicar coisas tão importantes como para que serve a terra: para plantar. Ou um monte: para subir e depois escorregar. É um guia (para miúdos e adultos esquecidos) do que se deve fazer em determinadas situações (uma caixa é para abrir, pois claro), bem como uma espécie de manual de boa educação – quando se chega a uma festa diz olá e como estás. Os desenhos são a preto e branco e bastante divertidos. E o livro é tão pequeno que dá para levar para todo o lado.

Autor: Peter Brown
Editora: Orfeu Negro

O senhor Tigre estava farto de ser sério. De andar vestido e em cima de apenas duas patas. O senhor Tigre não conseguia suportar mais ser igual a todos os animais. Era tudo cinzento, aborrecido, educado, sem graça. Até que decide pôr um ponto final naquela chatice. Começa por se pôr nas quatro patas, para choque de todos os outros animais. Depois começa a correr e a sentir-se livre até que decide despir-se. Foi um escândalo. O senhor Tigre acabou a ser expulso para a selva para poder ser selvagem à vontade e foi maravilhoso. Até que começou a sentir-se sozinho. Quando decidiu voltar, viu que a mentalidade tinha mudado e que, finalmente, poderia ser como quisesse porque ninguém o ia julgar.

Autor: Simona Ciarolo
Editora: Orfeu Negro

Filipe é um cacto amoroso a quem ninguém dá um abraço, nem os próprios familiares, cactos armados em bons, convencidos que são demasiado importantes para demonstrações de afecto. Depois de um pequeno acidente, Filipe vai-se embora para viver sozinho, isolado do mundo. E é quando pensa que se calhar não precisa de ninguém, que conhece a amiga perfeita: Camila, a pedra. E finalmente tem o abraço que sempre quis.