Mal podemos esperar por aquele momento em que as crias ficam nos avós, nós entramos num avião e aqui vai de viagem. Livres, leves e frescos, sem pedidos constantes para fazer chichi ou comer. Mas. Sempre mas.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

Mala feita, criança despachada para os avós um dia antes porque o avião é muito cedo. Chegar a casa depois do trabalho e não ter criança para alimentar e dar banho. O céu.

Sair cedo para o aeroporto, viagem descansada, chegar a outro país e começar logo a aproveitar a vida, sem ser preciso fazer check in ou desencantar alguma coisa para comer urgentemente, sem pensar em sestas, nem em muitos agasalhos. O céu.

Ferias sem filhos

Só que os sacanas dos putos instalam-se no coração com tal força que não há maneira de estar completamente feliz sem eles, mesmo que a presença deles não faça qualquer sentido naquele momento – um pub não é lugar para pirralhos. Mas. Mas. Mas.

1- Em vez de entrar em lojas com coisas para mim, não largo os brinquedos e livros infantis e canetas e toda a espécie de coisas parvas que acabo por comprar para a encher de prendas quando voltar;

2- Cada vez que vejo alguma coisa – árvores em flor, veados, exposições variadas, mercados – comento que a miúda iria mesmo gostar daquilo mesmo que sejam os quadros de Turner, cheios de paisagens aborrecidas em tons aborrecidos.

3- Quando dou por mim a olhar para os filhos dos outros com ar embevecido;

4- Quando imagino, com demasiados pormenores, o nosso reencontro, apesar de só ter estado fora três dias;

5- Quando a viagem de regresso parece durar o dobro do tempo do que realmente durou.