Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher (8 de Março), o dia do nascimento deste blog (8 de Março) e o dia do nascimento da Diana (8 de Março), e depois de um apuradíssimo estudo empírico, descobrimos os tipos de feministas que existem.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

O feminismo, valha-nos deuses, cruz credo, benzam-se três vezes, é um palavrão. Uma coisa feia que se usa para ofender, juntamente com os epítetos “lésbica” ou, na versão mais hardcore, “sapatona”, “frígida” ou apenas “fufa”.

Apesar de ser um tema cada vez mais discutido, ainda é visto como exagero, disparate, coisas de mulheres que odeiam homens. Os homens gozam, as mulheres dizem que detestam feministas, e a pobre idealogia que deveria ser de todos, uma crença tão simples e justa que deveria fazer parte da educação de todos – à semelhança do “tens de lavar os dentes todos os dias para não ficares com cáries” – continua a ser um bicho papão.

Tipos de feministas

Ser feminista é acreditar que as mulheres têm de ter os mesmos direitos e oportunidades que os homens. E acreditar (e defender, caramba) que as mulheres são livres de fazer o que bem entenderem com as suas vidas e com o seu corpo sem serem apelidadas de putas.

Mas a verdade é que há muito fundamentalismo desnecessário que arruína completamente as nossas hipóteses de sermos levadas a sério.

A Feminista Peluda: acha que lutar contra o patriarcado e a opressão feminina é deixar de fazer a depilação. Ela exibe o seus sovacos hirsutos com orgulho e recusa aparar a mata que fica ali abaixo da linha do Equador. Defende que a depilação só serve os homens, que foi criada para que lhes pudéssemos agradar, e esquece-se que um sovaco sem pelos é um sovaco mais limpo, um sovaco que transpira menos. Um sovaco amigo de todos, até das mulheres.

A Feminazi: esta espécie de feminista odeia todos os homens, única excepção feita ao pai. E mesmo assim, cuidadinho. Vêem nos homens um ser primitivo, ignorante e bastante inferior. Declararam guerra a todos os humanos do sexo masculino e culpam-nos dos males do mundo. Com elas não há lugar para uma convivência igual. São as mulheres que acham que tirar fotos do período e publicá-las no Instagram é uma forma de protesto e de libertação das amarras de… penso higiénicos? Tampões? Não sabemos. A verdade é que parece mais uma forma de vitimização do que de luta. Olhem para mim, eu sangro todos os meses e tenho dores de barriga e os homens, esses bandidos, não. E como não têm, vão ter de ver os meus lençóis todos sujos, tomem lá. Boa sorte para tirar essas nódoas da roupa, miúdas.

A Feminista Baralhada: é a mulher que diz que não é feminista porque não é lésbica. E porque gosta de se maquilhar e de usar calções curtos. E que gosta muito de homens. É a feminista que olha de lado para as outras mulheres que também gostam de andar de calções curtos e as julga porque há pernas que não deveriam ver a luz do dia. E que não percebe porque é que os colegas homens ganham mais do que ela quando fazem exatamente o mesmo, mas também não pensa muito sobre isso.

A Feminista Intelectual de Esquerda: calça sapatos Camper, usa cores sóbrias e roupas largas, evitando qualquer pormenor mais feminino porque teme ser considerada fútil. Sabe Simone de Beauvoir de cor e é o tipo de feminista que critica e apelida de hipócritas as mulheres que se afirmam feministas, mas que não têm medo de ser femininas ou de mostrar o corpo. A Emma Watson sabe do que estamos a falar, ela própria já teve de explicar – muito devagarinho para que todos percebessem – que feminismo passa também por dar às mulheres o poder da escolha, a liberdade e igualdade e que mostrar as maminhas numa revista é uma escolha e uma forma de liberdade de expressão.