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Março 2017

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Mal podemos esperar por aquele momento em que as crias ficam nos avós, nós entramos num avião e aqui vai de viagem. Livres, leves e frescos, sem pedidos constantes para fazer chichi ou comer. Mas. Sempre mas. Texto: Diana Ilustração: Rita Mala feita, criança despachada para os avós um dia antes porque o avião é muito cedo. Chegar a casa depois do trabalho e não ter criança para alimentar e dar banho. O céu. Sair cedo para o aeroporto, viagem descansada, chegar a outro país e começar logo a aproveitar a vida, sem ser preciso fazer check in ou desencantar alguma coisa para comer urgentemente, sem pensar em sestas, nem em muitos agasalhos. O céu. Só que os sacanas dos putos instalam-se no coração com tal força que não há maneira de estar completamente feliz sem eles, mesmo que a presença deles não faça qualquer sentido naquele momento – um…

Depois de tantas mães portuguesas por esse mundo fora, está na altura de ouvirmos uma mãe em Portugal. E só podia ser a Susana, claro, com a sua ironia do costume. Texto: Susana Almeida Ilustração: Rita Nasci em Portugal há 37 anos, na outra margem do Tejo, a que alguns totós chamam de deserto. Nunca tive vontade genuína de sair de Portugal, já disse muitas vezes que este país é uma merda, que qualquer dia vamos mas é pegar nos miúdos e sair daqui, mas não passa de conversa da boca para fora, de quem tem os pés bem presos ao chão desta terra. (Ter medo de andar de avião também ajuda a não sair daqui.) Aqui nasci, aqui cresci, aqui casei, aqui tive os meus filhos e aqui tento (sobre)viver e educar os meus filhos. Sobre criar filhos em Portugal Se tivermos os avós e tios por perto, aquela ajuda…

Isto é tudo muito bonito, trabalhar, ser independente, ter filhos e fazer as cerca de 345 coisas diárias que tanto gostamos. Mas o que é mesmo, mesmo bom, é ir de férias. Principalmente quando não se dá uma para a caixa. Estes são os sinais aos quais temos de estar atentas. Se sofrem de vários, metam férias. Texto: Diana Ilustração: Rita Quando pomos a roupa para lavar no lixo em vez de no cesto da roupa suja; Quando guardamos o pano da loiça no frigorífico; Quando os nosso filhos falam connosco em português mas a nós parece-nos polaco; Quando estamos a contar uma história a um amigo com todo o entusiasmo do mundo para em troca receber um olhar espantado, não percebemos porquê, até que ele nos diz que é a terceira vez que estamos a repetir; Quando lemos a mesma página de um livro cinco vezes porque nos perdemos…

Venho, por este meio, defender a tal de Elsa, a princesa da Disney que não há maneira de se ir embora, por mais princesas que se tenham inventado a seguir. Eu explico porquê. Texto: Diana Ilustração: Rita A Rita anda farta da Elsa. Ela não aguenta mais e nem sequer percebe porque raios as miúdas são obcecadas por ela. Eu entendo a parte de estar farta: “Já Passou” cola-se ao cérebro como os caramelos Penha se colam aos dentes. É chato, é cansativo. Porém, a Elsa rula bué, tal como a irmã, a Ana. A Elsa tem poderes mágicos. Bom, tem um poder, mas é incrível. Quem não gostaria de congelar pessoas desagradáveis que todos os dias se cruzam com elas? As outras princesas não fazem nada além de adormecer durante anos, limpar casas que não são delas e adormecer, limpar outra vez e casar com príncipes. Por favor.…

Tivemos muitas participações (obrigada!) e depois de juntarmos todos os nomes e sorteado, ficámos a conhecer os nomes das três vencedoras que vão receber esta incrível ilustração: Sem mais demoras, mas com rufar de tambores, aqui estão elas: 1 – Cátia Patrícia Silva Pinto 2 – Elsa Margarida da Silva Duarte 3 – Ângela Maria Oliveira da Fonseca e Silva Pedimos às vencedoras (parabéns!) que enviem um email para amaezonia@gmail.com com a vossa morada completa, por favor. Obrigada por estarem desse lado, miúdas.

Hoje, Dia Mundial da Mulher, esta selva faz um ano. Um ano inteirinho e em cheio. Graças a vocês. Há um ano, e depois muitas horas passadas a escrever e a planear e a escolher o template certo, que depois iria ao ar para dar lugar a outro ainda mais bonito, carregamos no botão “publicar” e zás, Amãezónia nasceu para o mundo. Directamente das nossas mãos e cabeças para os vossos olhos. Queriamos aliviar a vossa culpa quando acham que não fazem o suficiente, dar-vos um abraço virtual e fazer-vos ver que não estão sozinhas. Queriamos e queremos queixar-nos da maternidade e das nossas filhas sem julgamentos, fugir das obrigações, nem que seja por meia hora. Queriamos e queremos confessar que temos saudades de quando éramos solteiras e sem filhos, sem mas nenhum a seguir. Sem “mas os filhos compensam tudo” porque às vezes não compensam nada. Talvez quando forem…

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher (8 de Março), o dia do nascimento deste blog (8 de Março) e o dia do nascimento da Diana (8 de Março), e depois de um apuradíssimo estudo empírico, descobrimos os tipos de feministas que existem. Texto: Diana Ilustração: Rita O feminismo, valha-nos deuses, cruz credo, benzam-se três vezes, é um palavrão. Uma coisa feia que se usa para ofender, juntamente com os epítetos “lésbica” ou, na versão mais hardcore, “sapatona”, “frígida” ou apenas “fufa”. Apesar de ser um tema cada vez mais discutido, ainda é visto como exagero, disparate, coisas de mulheres que odeiam homens. Os homens gozam, as mulheres dizem que detestam feministas, e a pobre idealogia que deveria ser de todos, uma crença tão simples e justa que deveria fazer parte da educação de todos – à semelhança do “tens de lavar os dentes todos os…

Estava muito contente, pensava que tinha tido a sorte de escapar à febre azul do movimento Frozen — afinal estava bem enganada. A minha filha, com 3 anos, nunca tinha falado muito ou pedido coisas relacionadas com o filme da Disney, mas quando entrou na pré-escola as coisas mudaram.  Texto e ilustração: Rita Todas as outras crianças já sabiam o que é o Frozen e conheciam o merchandising do mundo do gelo: os fios, elásticos do cabelo, cromos, perucas, porta-chaves, luvas, tiaras, copos com e sem palhinha integrada, brincos, enfim, um arsenal incrível que se multiplica ano após ano, perante o meu olhar incrédulo. Fico mesmo espantada com a criatividade dos fabricantes desta tralha toda, para imaginarem a próxima superfície onde vão estampar um desenho da Elsa ou do Olaf. O que os pais penam sem ninguém suspeitar! Não me posso queixar muito, porque a minha filha não é uma autêntica freak do Frozen, ainda assim,…

Somos enfermeiras, empregadas de limpeza, aias de suas altezas reais, negociadoras exímias, chantagistas e ginastas. Tudo ao mesmo tempo.  Texto: Diana Ilustração: Rita Empregadas de limpeza: as migalhas no sofá, o iogurte no chão, os bocados de comida não identificada colada nos locais mais estranhos. O vomitado a meio da noite, nos lençóis, no pijama, no chão e em cima de nós; lavar a roupa e secá-la em tempo recorde; lavar o tapete do quarto a 60º para matar os ácaros. Aias de suas altezas: vestir, despir, todos os dias, às vezes mais de que duas vezes por dia; cortar as unhas das mãos que normalmente têm terra por baixo, a dos pés que crescem a uma velocidade assustadora; dar banho; desembaraçar o cabelo, pentear, fazer totós, tentar fazer tranças porque sua majestade assim o deseja, mesmo que o cabelo não dê. Ficar com uma tendinite depois de várias tentativas…