Meia hora. Às vezes é só do que precisamos. 30 minutos para respirar sem a criança a pedir coisas ou em cima de nós. Uma maravilhosa meia hora. Se for uma inteira, ainda melhor.

Texto: Diana
Ilustração: Rita

O meu olho treme cada vez que a minha filha profere a fatídica frase: “Mãe, anda brincar.” A maior parte das vezes digo que não, mas nem sempre dá.

Mal posso esperar pelo momento em que a minha filha se vai entreter sozinha, passar horas a brincar às Barbies ou com plasticina, como a mãe dela fazia, sem chatear ninguém.

Enquanto esse dia não chega, tenho de dar o corpo ao manifesto, ainda que muito de vez em quando e apenas nas atividades que me interessam.

Porém, para que saibam brincar sozinhos, os miúdos precisam de uma ajuda – raio dos putos nascem sem saber fazer nada. É preciso mostrar-lhes que brincar sozinho é espectacular (mesmo que não seja), fornecendo ferramentas fixes. Por exemplo: papel de cenário colado à parede do quarto, tintas e canetas laváveis e autocolantes com fartura deverão providenciar horas de descanso e criação artística. O IKEA tem uns rolos de papel que rendem horas de felicidade parental. A minha filha gosta também de toda espécie de objectos básicos: lanternas, lupas, rolos de papel higiénico ou de cozinha, esferográficas, copos de plástico, caixas de cartão, botões, fita cola e folhas de papel.

Um dos grandes problemas que ainda não consegui resolver, é o facto da miúda entrar no quarto e não brincar com nada. Tem vários brinquedos e jogos, mas não se interessa por nada em especial. O facto de estar tudo arrumado em caixas poderá ser o problema. Há quem diga que é melhor ter vários pontos de brincadeiras pela casa, para que ela possa explorar, em vez de tudo concentrado num sítio só. Estou por tudo, só não me ponham a brincar.