Ser super mãe é como tentar correr uma maratona na lua: impossível. E um dia a mãe rebenta, como um balão em que se vai soprando, soprando, soprando, soprando, até que: boom!

Texto: Susana Almeida
Ilustração: Rita

Não tenho pretensões de ser a super mãe, a melhor, a mais forte, mas a verdade é que me tenho comportado como tal.

Já o escrevi várias vezes, durmo mal há vinte e um meses, sou uma mãe suburbana exausta, somos nós e nós, sem ajudas, o que é bom por um lado, porque não dependemos de terceiros, o que é mau por outro, porque raramente temos terceiros de quem depender. E depois tenho um defeito, entre muitos, uma resistência absurda a descansar.

Os miúdos sugam a maior parte da nossa energia, exigem tudo de nós, a diferença de idades é pequena. Oiço dezenas de vezes que agora custa, mas que vai ser ótimo. Crescem juntos, brincam juntos, blá, blá, blá juntos, a essas pessoas digo-lhes: não percebem nada do que estão a dizer. A única coisa que fazem juntos é berrar e chorar em solidariedade um com o outro.

(Vai melhorar, eu sei, não me batam já.)

Estou exausta, de rastos e em vez de alapar o rabo no sofá ou deitar-me a dormir enquanto os miúdos dormem a sesta, começo a olhar à volta e a ver mil e uma coisas para fazer. Aspirar o chão, pilhas de roupa para lavar, o pó, o filho da puta do pó que tem uma casa cheia de livros, os pedaços de bolacha maria misturados com baba espalhados pelos móveis, os vidros cheios de marcas de mãos pequeninas, os riscos de caneta nas paredes.

O meu despertador mais novo acorda antes do sol nascer e eu o que faço? Dou-lhe o leite e começo a arrumar merdas. Para quê? Não sei.

Deixo constantemente as minhas coisas para fazer. Escrever, fotografar, ler, ir ao cabeleireiro, até fazer o raio da dieta é um drama, só me apetece comer chocolate.

Neste momento o meu corpo grita, é impossível não o ouvir, está naquele ponto em que basta só mais um sopro para rebentar, por isso, sem mais demoras, vou ali despir a máscara de super mãe, respirar fundo, abrandar o ritmo e cuidar de mim.

Oiçam o vosso corpo a falar com vocês, não esperem que grite, peçam ajuda se for preciso, ser super mãe é uma treta, os nossos filhos só precisam da mãe.