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Novembro 2016

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Explicar a uma criança o que é a morte, é ligeiramente sinistro. E bastante difícil. Muitos brincam com isso sem sequer saberem o que é. Maria João Lourenço volta às crónicas e aos sobrinhos. Texto: Maria João Lourenço Ilustração: Rita O Tomás morreu. A frase foi dita pela Júlia da Sofia com o ar mais tranquilo do mundo, na inocência dos seus dois anos. Acontece que o Tomás, uns bons anos mais velho, resolvera fingir-se de morto, fechando os olhos e cerrando a boca, talvez, quem sabe?, para descansar das brincadeiras sem fim? Do alto da nossa provecta sabedoria, nós, as mães (e a tia, sem filhos mas com muitos carimbos no passaporte), sentadas ainda à mesa do almoço, disfarçámos o melhor que pudemos e houve logo quem se lembrasse logo da história da Bela Adormecida. Nada que a pequena Júlia não tivesse experimentado, claro. Afinal, vivemos todos no século…

A mãe perfeita não chega atrasada, não tem nódoas na roupa (nem os miúdos). A amãezónia às vezes esquece-se de fazer sopa e falta à natação dos putos regularmente. Texto: Diana Ilustração: Rita Mãe perfeita: sai de casa a horas, perfeitamente vestida e maquilhada. Os filhos não correm e estão impecavelmente vestidos e bem dispostos. Amãezónia: sai de casa atrasada, com nódoas de ranho/leite/substância não identificada no ombro direito. Os miúdos tentam fugir várias vezes, caem, sujam-se ainda mais, choram e tornam a ida para a escola um pesadelo. Mãe perfeita: chega ao trabalho impecável e pronta para trabalhar. Amãezónia: chega ao trabalho cansadíssima e com uma ligeira vontade de chorar. Mãe perfeita: quando chega a casa já sabe o que vai fazer para o jantar ou já tem o jantar pronto, é só descongelar. Aproveita para dar atenção aos miúdos e ajudá-los nos trabalhos de casa. Amãezónia: não faz…

A Diana rumou a Macau, a Teresa está em França, a Andreia e a Maria foram para a Suíça, a Sílvia foi para Moçambique, a Rita escolheu a Bélgica para emigrar, a Mafalda foi para a Suécia, a Sofia para o Qatar, a Irene foi para o Brasil, a Rute foi parar a Inglaterra e a Marisa escolheu o Luxemburgo. São portuguesas a trabalhar e a criar filhos noutros países, e que nos contam as diferenças entre lá e cá. Texto:Diana Oliveira Ilustração: Rita Chegou a Macau há seis meses, com o marido e a filha, através da empresa onde trabalhava em Portugal, onde é consultora na área de tecnologias de informação:  “Surgiu uma vaga para integrar a equipa na filial de Macau. Não hesitei e mudámos a nossa vida em 3 semanas!” Criar a filha longe de casa é difícil, principalmente por não ter uma estrutura familiar que a apoie. Mas tudo isso…

Quando os filhos sofrem e não podemos fazer nada, o coração parte-se em mil pedaços. Mas às vezes, não há mesmo razão para preocupar — não passam de drama queens. Susana Almeida volta ao ataque. Texto: Susana Almeida Ilustração: Rita  – Mãe, achas que é justo brincar sozinha? Ontem na hora da história para dormir, (uma história da minha boca e não dos livros, como ela me pediu), de luz apagada, as duas de mãos dadas deitadas na cama dela e esta frase que se espetou no meu coração. – Não, filha, não é justo. As lágrimas começaram a escorrer pela minha cara. – Quando as minhas amigas levam brinquedos para a escola não me deixam brincar com elas. Estúpidas! Não querem brincar com a minha filha porquê? – Não brincam comigo e eu tenho que brincar sozinha. Egoístas! Será que lhes posso bater? Ou nas mães delas? Posso bater…

A Teresa foi para França, a Andreia e a Maria foram para a Suíça, a Sílvia foi para Moçambique, a Rita escolheu a Bélgica para emigrar, a Mafalda foi para a Suécia, a Sofia para o Qatar, a Irene foi para o Brasil, a Rute foi parar a Inglaterra e a Marisa escolheu o Luxemburgo. São portuguesas a trabalhar e a criar filhos noutros países, e que nos contam as diferenças entre lá e cá. Texto: Teresa Vieira da Silva Ilustração: Rita Teresa foi para Paris há 4 anos e meio e adora. É advogada numa empresa de recursos humanos e foi parar a França porque o marido teve uma oferta de emprego. Mudaram-se e os dois filhos, gémeos, nasceram lá, há 17 meses. Têm bons amigos, mas não como os de Portugal que os conhecem há 20 anos e “são praticamente família”. Para sair em casal, é preciso ponderar bem, já que…

Desde o momento em que a fiz que tenho vindo a aprender coisas com a minha filha. Desde que ela saiu para o mundo que adquiri toda uma série de competências e conhecimentos úteis, como provocar cocó, desviar-me de vómito projectado ou aprender a não fazer planos. Texto: Diana Ilustração: Rita As crianças não são o melhor do mundo. Dormir, sim. Não vale a pena planear férias ou fins-de-semana com muito afinco porque ela vai ficar doente e estragar tudo. O bebé gel é das melhores criações do homem. Pode não haver fim para a quantidade de perguntas que é possível fazer sobre um só tópico. As bochechas de um filho são tão boas como os narizes dos cães (e eu adoro narizes de cães). Ninguém é imune ao merchandising dos filmes da Disney. Não vale a pena guardar coisas da nossa infância, estimadas durante anos, para os filhos: eles…

Toda a gente fala de pegada ecológica e sustentabilidade, seja por causa do aquecimento global, do acordo de Paris, da cimeira de Marraquexe, dos documentários da National Geographic e (claro) também por causa do Leonardo DiCaprio. Ser bio-eco-ambientalista é fixe mas para quem tem filhos, especialmente bebés, reduzir o rasto de lixo nem sempre é fácil. Texto e ilustração: Rita Partilhemos dicas, há muita coisa que se pode fazer. Se acabaste de ter um bebé, usar fraldas reutilizáveis parece ser a coisa mais óbvia para quem quer poupar dinheiro e o planeta. Segundo a Quercus, em dois anos e meio um bebé produz uma tonelada de fraldas que vão parar ao aterro. Multiplicando isto pelos bebés todos… é fácil chegar a números grandes e concluir que os bebés são poluidores excepcionais. Apesar de optar pelas fraldas de pano ser um contributo incrível para o planeta, se não tiveres personalidade para lavar…

As histórias infantis com que crescemos são machistas, paternalistas e, francamente, desagradáveis. As protagonistas são fraquinhas, totós e que passam a vida à espera de serem salvas. E se déssemos finais diferentes às histórias de encantar? Texto: Diana Ilustração: Rita A Carochinha Era uma vez uma Carochinha cujo maior sonho era voar. Ela adorava ler e construir pequenos aviões onde imaginava que um dia voaria. Noite e dia a Carochinha procurava alguém que a ajudasse a cumprir o sonho. Preferencialmente alguém com conhecimentos de engenharia aerospacial. O problema é que todos os pretendentes ao lugar só se pareciam importar com a beleza (lendária) da Carochinha. Isso, e com as imensas moedas que ela tinha poupado com muito esforço e trabalho. Certo dia, a campainha tocou. À sua frente estava um ratinho tímido, de óculos, com um ar bastante inteligente. A Carochinha perguntou-lhe se ele era capaz de construir um avião. Ele…

Há tantas coisas no mundo que gostaríamos de lhes ensinar. Dizer-lhes que cortar a própria franja parece fácil, mas não é, que quando se tem dúvidas o melhor é perguntar à mãe e que a coragem vale mais que o dinheiro. Texto: Rita e Diana Ilustração: Rita Rita: Nunca cortes a tua franja sozinha. Não saias com um tipo que não sabe cozinhar. Luta pelos teus direitos. Continua a lutar. Mais um bocadinho (desculpa, não se pode parar). Se tiveres oportunidade aprende a fazer uma horta, cozinha os teus legumes e apanha os teus frutos e as tuas ervas aromáticas. Sê implacável nas cobranças. Lê, informa-te. Vota (mas por favor não votes em pessoas que digam coisas do tipo “grab’em by the pussy”). Desenvolve o espírito crítico. Defende os teus ideais. Aprende a montar uma tenda. Passa tempo a observar o mar, o sol, as nuvens, a areia, as árvores e se…