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Junho 2016

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As mães são uma raça cheia de culpa porque são mulheres e porque têm a função de pôr pessoas neste mundo. Ser mãe é a melhor coisa deste mundo e ai de quem disser o contrário. Pois bem, aqui vai. Texto: Diana Ilustração: Rita As mães são santas. E comedidas. Discretas. Adoram a tudo o que esteja relacionado com a maternidade e amam os seus filhos queridos a todas as horas do dia. Antigamente a mais importante função – e obrigação – da mulher era pôr pessoas no mundo. Pequenos anjinhos barrocos, de preferência machos, aos quais se entregavam de corpo e alma toda a vida. Hoje, as mulheres são muito mais do máquinas parideiras mas continuam a guiar-se por parâmetros impossíveis de alcançar. Continuam a querer ser perfeitas, impecáveis, arranjadas, óptimas mães e cheias de energia para, enfim, tudo. Quando é que esta ditadura acaba? Quando é que vamos parar de…

A Rita escolheu a Bélgica para emigrar, a Mafalda foi para a Suécia, a Sofia para o Qatar, a Irene foi para o Brasil, a Rute foi parar a Inglaterra e a Marisa escolheu o Luxemburgo. São portuguesas a trabalhar e a criar filhos noutros países, e que nos contam as diferenças entre lá e cá. Ilustração: Rita Texto: Rita Barroso Edição: Diana O que é que acontece quando trabalhamos mas não recebemos nada? E quando surge um divórcio? A Rita decidiu ir-se embora para a Bélgica. “Achei que a emigração seria a única maneira de manter o nível de vida a que os meus filhos estavam habituados, sem recorrer à ajuda da família e sem deixar de ser uma mãe presente.” No Verão de 2012 pegou nos filhos – dois rapazes, hoje com 15 e 9 anos – e deixou Portugal, a família e tudo o que lhes era familiar. A Bélgica, foi…

Há quem se separe, quem desista, quem permaneça, ainda que infeliz. Manter uma relação é difícil, com filhos é ainda mais. Mas não é impossível. Texto: Diana Ilustração: Rita No início é tudo um sonho. Os nervos no estômago, a vontade de se verem, as mensagens, o sexo. A conchinha no sofá, os fins de semana fora, as viagens juntos, as bebedeiras. Tudo é adorável, até o facto de ele não saber nem estrelar um ovo – ou não se esforçar para conseguir. Até aquela vez que misturou a roupa branca com uma camisola vermelha, deixando tudo cor de rosa. A mania dela querer controlar tudo. Tudo é aceitável e até fofinho. O início de uma relação é uma das melhores coisas que podemos experimentar. E as conversas, longas, intensas. Os concertos, as saídas à noite. Os amigos. O braço dele por cima dos nossos ombros, a sensação de ter, enfim, chegado a…

Viajar com crianças pode ser o pior pesadelo dos pais. E de todos os outros passageiros do avião. Mas há formas de tornar a experiência em algo a repetir. Vamos a isso? Texto: Diana Ilustração: Rita A primeira vez que andei de avião com a minha filha, ela tinha quase 2 anos. Já se expressava, já se percebia o que raio dizia, já era mais ou menos razoável se falássemos com calma. Dias antes andei pela Internet à procura de dicas para entreter miúdos no avião e encontrei uma série delas que coleccionei. Mas o medo de que ela passasse a viagem toda a chorar, incomodando todos os passageiros, estava sempre presente. Até que fiz aquilo que faço quando suspeito que alguma coisa pode correr mal: qual é o pior que pode acontecer? Normalmente o pior não é assim tão mau. Se ela chorasse, paciência. Ninguém ia morrer por isso. Apretechei-me de apps,…

A filha do Dr. Ponte não o deixou dormir e ele deu por ele a pensar no Neil Young, um deus do rock sempre com a camisa certa e um corte de cabelo duvidoso. Vai daí e deu-nos esta canção para dançar agarradinhos à miúda ou ao miúdo quando sentirem dores de barriga. Texto: Dr. Ponte Na noite passada, a minha filha começou a chorar na cama. Até aqui tudo normal, é o que fazem os miúdos, por razões muito diferentes. Por vezes é porque têm pesadelos, noutras ocasiões têm fome, ou então está tudo relacionado com questões do campeonato fisiológico. O truque é esperar que passe. Quando não passa, não há mais nada a fazer a não ser o clássico “deixa lá ver o que é que decorre”. Não foi preciso muito até perceber que a coisa metia dores de barriga. E bastou um trago de leite para que…

Ser mãe é para sempre. A barba rija não importa para uma mãe. Maria João Lourenço, tradutora de Murakami em Portugal, e mãe de um marmanjo de 39 anos, brinda-nos com mais uma crónica. Texto: Maria João Lourenço Ilustração: Rita “A minha mamã mima-me”, escreve a professora no quadro. “A minha mamã ama-me. Que bom, minha senhora”, diz a Mafalda à mestra, “os meus parabéns. Vejo que tem uma excelente mãe. E agora, podemos falar de coisas realmente importantes?” A lengalenga poderia continuar, até porque há historietas parecidas nas tirinhas ao lado. Apesar de Quino ter regressado à sua pátria, depois de passar a dois metros de mim num corredor da Leya, teremos sempre os exemplares com os cantos dobrados, repletos daquelas tiradas únicas. Cá em casa, marcaram a nossa vida: começámos pelas primeiríssimas edições, cada cor seu paladar, um mundo multicor de livrinhos que cabiam debaixo do braço ou enfiados…

As primeiras férias com um bebé podem ser avassaladoras, para não dizer um desastre épico. Mas nós estamos aqui para ajudar e para vos sossegar. E também para dizer que nunca mais vão descansar.  Mas isso é outra história. Texto: Diana Ilustração: Rita Como pode um ser tão pequenino precisar de tanta coisa, perguntam vocês enquanto tentam fechar o porta bagagens do carro, para só depois perceberem que afinal ainda falta um saco. Mas férias são férias, não contemplam desistências nem lágrimas. A praia espera por vocês e os pais babados mal podem esperar por pôr os pezinhos do seu bebé na areia pela primeira vez. Preparem-se, porque a possibilidade do petiz desatar aos berros é muito elevada. A minha filha, quando sentiu areia pela primeira vez, chorou de horror. Eu peguei imediatamente nela e em tudo o que consegui arrebanhar da panóplia de itens que levámos e preparei-me para…

Esperamos tanto tempo pelo Verão que quando ele chega não conseguimos fazer tudo o que sonhamos quando a chuva não dá tréguas. São três meses (ou quatro) que passam demasiado depressa. Porque não começar já a aproveitar? Texto: Diana Rita: Ilustração Somos pelas listas como forma de organização, quer mental, quer diária. Com listas, torna-se mais fácil concretizar objectivos e sonhos. O Verão é a melhor altura do ano. Tão boa, que queríamos que durasse para sempre. Como isso não é possível, fizemos uma lista com todas as coisas que queremos fazer. São elas que nos vão ajudar a aguentar aqueles meses cinzentos que parecem nunca acabar. Comer todas as cerejas que conseguirmos. Comer melancia todos os dias. Ir a todos os arraiais de Junho. Ou pelo menos a um. Comer sardinhas duas vezes por semana, todas as semanas, até o Verão acabar. Passar um dia inteiro na praia, ir a…

A escritora espanhola Rosa Montero, autora de livros como “Instruções para Salvar o Mundo” ou “A Louca da Casa”, tem um novo livro, “O Peso do Coração”. A outra boa notícia é que ela falou com o Amãezónia. Texto: Diana Ilustração: Rita Vive em Madrid, mas tem um pequeno apartamento em Lisboa onde às vezes escreve. É jornalista e colaboradora exclusiva do jornal El País, defensora dos direitos dos animais e salvadora de cães abandonados. Feminista, leitora de manuais científicos e de literatura de ficção científica, Rosa Montero já ganhou vários prémios com a sua escrita. O novo livro da escritora espanhola devolve-nos a detective Bruna Husky, uma andróide (replicante), com quem Montero assume ter uma grande semelhança. É a sua personagem preferida, que nasceu com “Lágrimas na Chuva”, é uma “tigre da vida”, como a descreve, que protagoniza este “romance existencial” passado no longínquo futuro de 2109. Quando criou Bruna Husky no livro “Lágrimas na…

Seis mulheres feitas de música. Seis mulheres para amar. Seis mulheres para dançar. Estas são as escolhas da semana do Dr. Ponte. Texto: Dr. Ponte Seis porque nisto do online convém não exagerar. Há muitas mais, e havemos de voltar a esta lista, mas se aqui colocássemos 12, por exemplo, já se sabe: a meio já teríamos muitas desistências. Fica uma primeira meia dúzia para explicar como um mundo sem mulheres, sem estas mulheres, era uma outra coisa qualquer, muito menos apaixonada e apaixonante: Aretha Franklin Há uma velha história que parece sempre surpresa. Numa entrevista recente, Tom Jones explicava, num curto episódio, porque é que Aretha Franklin é a mais extraordinária cantora da história. Jones, dono de uma voz imponente, lembrava como passou a vida a ter de controlar os pulmões sempre que cantava um dueto. Sempre menos com Aretha Franklin, mulher inalcançável, cordas vocais insuperáveis. Sempre teve a…