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Abril 2016

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Dia 2 de Junho vai ser histórico: os Guns N’ Roses vão voltar a juntar-se no Passeio Marítimo de Algés para  nos pôr a chorar. De alegria, esperamos. E antes que aconteça o melhor ou o pior, recordemos o que importa recordar do senhor que em tempos se chamou William Bruce Rose Jr. e depois William Bruce Bailey, antes de chegar às três letras que o tornaram famoso. Porque há coisas que até este rufia pode ensinar: A dança da cobra Falamos daquele movimento de ombros que o homem tinha como imagem de marca. Na verdade, começava nos ombros e espalhava-se pelo corpo todo e não havia quem não ficasse preso à imagem do senhor Rose: uns espantados, outros curiosos, muitos, de ambos os sexos, seduzidos para sempre. Axl sabia da sua dança e dançar, minha gente, dá muito jeito e pode mudar uma vida. Atentem neste vídeo, aí pelo minuto 1.25, quando os…

Semana sim, semana não, o Amãezónia abre as portas à educação, com histórias incríveis – e verdadeiras – sobre miúdos e as suas lutas diárias com eles mesmos, a escola e o mundo.  Texto: Alda Couto Ilustração: Rita *Todos os nomes usados nos textos da autora são fictícios, de forma a proteger a identidade dos intervenientes. Dizia que não tinha jeito para nada e sempre que eu lhe perguntava de que é que gostava, encolhia os ombros – não sabia. Quase sempre encolhido, como quem precisa de se esconder do mundo, raros eram os momentos em que nos olhava nos olhos. Hesitei amiúde entre o zangado ou o excessivamente envergonhado, sempre na certeza de se tratar de uma criança desacreditada de si mesma. Trabalhei com o Alex meses a fio, tropeçando nas minhas próprias convicções tão intensamente que o nosso percurso, feito de avanços e recuos, não me dava garantias nenhumas de…

Texto: Susana Almeida Ilustração: Rita As mães têm de aturar muitas coisas. A opinião altamente especializada do resto do mundo é só uma delas. Quando damos por nós, estamos rodeadas de especialistas em tudo o que diz respeito aos nossos filhos, desde a cor e consistência do ranho ao cheiro e consistência do cocó. Tudo começa com os filhos ainda na nossa barriga. O hospital em que decidimos parir, se optamos por parto natural ou por cesariana, o pediatra que escolhemos, o tempo que vamos estar de licença de maternidade, se vamos amamentar, a creche onde os vamos inscrever, como se as nossas escolhas tivessem algum peso físico, emocional e financeiro sobre a vida dos outros. Estava eu grávida da minha filha mais velha e tinha uma amiga preocupada se eu punha creme na barriga, como se as eventuais estrias não fossem minhas por direito. Ou outra que me perguntava…

Texto: Diana Ilustração: Rita Não sou uma pessoa competitiva. Nunca fui. Perante competições difíceis tenho tendência para fazer o oposto: desistir. A única excepção foram as olimpíadas de português quando andava no 5º ano, em que não só participei, como ganhei. Foi o ponto alto dos meus 11 anos. No entanto, agora que a minha filha já se assemelha a gente, ainda que em pequeno e com algumas descoordenações físicas típicas da idade, dou por mim a querer que ela seja a melhor. Em quê? Não faço ideia. Mas sinto-me culpada por não a inscrever em actividades como ballet, ginástica ou natação, principalmente quando vejo filhos de amigos que já andam nessas coisas. Ou quando me dizem que os seus filhos já comem de garfo e faca. Ou que deixaram as fraldas. Ou que já sabem fazer desenhos que se assemelham a figuras humanas. Ou que até já escrevem o nome. O…

Por: Dr. Ponte Um dia, apenas um, para que este consultório de xaropes em formato áudio sirva para curar as maleitas do seu responsável, pode ser? É que Prince morreu e isso não se faz, não se deixa o aviso “ele foi encontrado num elevador” para depois esperarem que no dia seguinte fique tudo bem. Errado. Tudo está pior. E a miúda passou a noite com febre, quem me disser que é por acaso é porque nunca suou ao ouvir “Let’s Go Crazy”, nunca perdeu o fôlego enquanto tocava “1999”. Ou então simplesmente continua a dizer que não gosta de “When Doves Cry” ou “Raspberry Berret” – na melhor das hipóteses diz que são guilty pleasures. Culpado é o Prince por ter feito tudo ao seu alcance para que este que vos escreve se tivesse enrolado com a mãe da tal pirralha que tem febre. A mesma mulher que, antes…

As mulheres continuam a ganhar menos do que os homens e a serem tratadas com desigualdade. Podemos não ser iguais biologicamente mas, caramba, já era altura de termos as mesmas oportunidades. Texto: Diana Ilustração: Rita Algures no decorrer do tempo a palavra feminismo tornou-se feia (esperem aí, não fujam já). Como uma asneira. Transformou-se num motivo de chacota para quem afirmasse ser feminista e ganhou contornos exagerados que, na verdade, só distraíram as pessoas do que importava e importa. O feminismo não é queimar soutiens. O feminismo não é achar que as mulheres são melhores do que os homens. O feminismo não é partir os dentes, insultadíssimas, ao homem que nos deixa entrar no elevador primeiro embora tenha chegado antes, ou ao senhor que faz questão de abrir a porta – nós temos bracinhos, mas se ele quer segurar na porta, deixem-no. Feminismo é apenas uma coisa: querer a igualdade social,…

Texto: Diana Ilustração: Rita Há muita gente que pensa que a banda desenhada é um estilo menor. Que é menos que um livro cheio de letras, história, personagens ricas, complicadas. Há quem julgue que a banda desenhada é para crianças. Bonecada colorida, historietas leves, tiradas cómicas. A banda desenhada pode ser tudo isso mas também pode ser – e é – uma obra de arte. Ilustrações incríveis, histórias complexas, surpreendentes, todos os ingredientes para um livro dos bons. Gosto tanto de banda desenhada que no outro dia comprei um livro maravilhoso para que a minha filha o possa ler quando for adolescente (ela tem dois anos e meio). E li-o, claro. Chama-se “Finalmente o Verão” e é perfeito. Comecei a ler banda desenhada com os suspeitos do costume: Tio Patinhas e companhia, traduzidos para português do Brasil, e depois apanhei a boleia para a Mónica (Mônica) e seus amigos. Passei para o…

…  ou como cuspir para o ar e levar com ele mesmo no meio da testa. Texto: Vera Moura Ilustração: Rita Não faltam por aí blogues com a lista das coisas mais irritantes que as pessoas sem filhos dizem às que têm filhos. A expressão “Quando for mãe, o meu filho nunca…[preencher com o que lhe vier primeiro à cabeça: pode ser comer chocolate, ver iPad enquanto janta, dormir na cama dos pais ou outra coisa qualquer]” é sempre a grande vencedora. Mas ainda não li nenhum artigo sobre as coisas que as mães com um filho dizem antes de arrancar para o segundo. A minha primeira filha foi de borla. Durante um ano e meio não soube o que era o drama de não dormir: nos primeiros tempos até tinha de pôr despertador para a acordar para comer. Além da desgraça da privação de sono, mantive-me na ignorância sobre o…

Texto: Diana Ilustração: Rita Engravidei por acidente numa daquelas noites “deixa-estar-não-te-preocupes-que-não-vai-acontecer-nada” mas depois acontece mesmo (ponham os olhos nisto, adolescentes). Não é que não quisesse, mas o momento já não era o ideal. Tinha acabado de aceitar um novo trabalho, numa revista, e a menos de um mês de lá estar descobri que estava grávida. Má onda. Fiquei feliz, mas principalmente assustada. Era a segunda vez que engravidava, a primeira não tinha corrido bem. A euforia que senti da primeira vez não a tornei a sentir: tinha medo, uma coisa profunda que me deixava triste e à defesa. Recusei sentir-me demasiado alegre não fosse ter outro desgosto. Mas passadas as 12 semanas do costume, acalmei. O medo passou, ficou o alívio e uma fome cada vez maior, enjoos esquisitos que me impediram de comer manga, e sono. Muito sono. Nunca me senti completamente confortável. Chateavam-me as limitações alimentares – legumes crus nem…

Os cinco que formam os Capitão Fausto começaram a banda quando o final da adolescência ainda lhes desgraçava o corpo. Passaram uns cinco anos e o terceiro disco chega agora, é editado esta sexta-feira. Chama-se “Os Capitão Fausto têm os Dias Contados” e nunca soaram tão crescidos (e geniais). Cantam o verão eterno porque a melhor solução é cantá-lo sempre. Sabem que a idade passa por eles e isso torna este saudosismo juvenil ainda mais legítimo e fundamentado. Ao mesmo tempo, o que cantam é tão ingénuo como verdadeiro, frases prontas para serem transformadas em slogans, que ensinam umas quantas coisas sobre a vida, sobretudo para quem ainda vai passar pela violência da juventude. Fica aqui o primeiro single, o viciante “Amanhã Tou Melhor”, e umas quantas linhas que vieram ao mundo para iluminar a pequenada. “Tenho muita garganta, pouca guita p’ra tinta” O dinheiro não é tudo, mas ajuda. Ainda assim, mesmo…